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Bem-estar & Saúde

Técnica brasileira revoluciona cirurgia do câncer de próstata

20/01/2026 14:26 Por Redação NTD

Curso inédito na Uerj difunde método inspirado na robótica, com menor custo e acesso ampliado no SUS

No centro cirúrgico do Hospital Universitário Pedro Ernesto, inovação e realidade social caminham lado a lado. Desenvolvida na Uerj, uma técnica cirúrgica brasileira vem mudando o tratamento do câncer de próstata ao oferecer resultados comparáveis aos da cirurgia robótica, mas sem os custos milionários. Essa abordagem, criada em 2015, será o foco do primeiro Curso Teórico-Prático de Prostatectomia Radical Anterógrada, nos dias 2 e 3 de fevereiro, coordenado pelo pesquisador e cientista Fabrício Carrerette.

A chamada prostatectomia radical aberta anterógrada remove a próstata por meio de uma incisão de Pfannenstiel, semelhante à utilizada em cesarianas, menor e mais estética do que a técnica aberta tradicional. O procedimento segue uma lógica inspirada na cirurgia robótica: começa pelo colo da bexiga e avança de forma controlada até o ápice prostático, o que proporciona melhor visualização anatômica, menor sangramento e maior preservação das funções urinária e sexual.

Resultados com impacto social

Os benefícios não ficaram restritos à teoria. A técnica foi avaliada em diversos estudos clínicos, incluindo um ensaio prospectivo randomizado com 240 pacientes, que apontou taxas de controle do câncer, continência urinária e recuperação da função sexual semelhantes às da cirurgia robótica. A principal diferença está no custo: sem robôs, descartáveis caros ou manutenção complexa, o método pode ser aplicado em hospitais públicos e privados de médio porte, ampliando significativamente o acesso dos pacientes a uma cirurgia de alta qualidade.

Para Fabrício Carrerette, membro da Sociedade Brasileira de Urologia e palestrante internacional, a inovação vai além do campo técnico. “É possível unir ciência, eficiência e equidade. A prostatectomia radical aberta anterógrada mostra que excelência cirúrgica não precisa ser sinônimo de tecnologia inacessível”, afirma. Segundo o pesquisador, a proposta dialoga diretamente com a realidade do SUS e de países com recursos limitados, reforçando que saúde de qualidade deve ser universal. Informações sobre o curso estão disponíveis em www.urologiauerj.com.br.