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Crime e castigo: Relacionamento entre delegada recém-empossada e líder do PCC leva a prisões em São Paulo

17/01/2026 07:11 Por Redação NTD

O caso que expõe fragilidades do sistema de segurança mostra a ligação da delegada com o PCC, principal facção criminosa do país

No coração de uma investigação que mistura romance e crime organizado, a Polícia Civil de São Paulo prendeu na manhã desta sexta-feira, 16, a delegada Layla Lima Ayub, recém-empossada (em 19 de dezembro de 2025) na carreira, sob a acusaçãode manter ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC), principal facção criminosa do país. O caso ganhou repercussão não apenas pela posição da servidora, mas por seu relacionamento com Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como Dedel, apontado como um dos líderes do PCC no Norte do Brasil e implicado em tráfico de armas, drogas e recrutamento de menores. 

As investigações, conduzidas pelo Ministério Público de São Paulo no âmbito da Operação Serpens, indicam que Layla teria usado sua posição de forma irregular, inclusive atuando como advogada em audiências de custódia de integrantes da facção mesmo após assumir o cargo de delegada. Ao lado dela, Jardel acompanhou sua posse em dezembro de 2025 no Palácio dos Bandeirantes, em evento oficial, e passou a morar com a policial na capital paulista, segundo o MP. Ambos tiveram mandados de prisão temporária decretados pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. 

Investigação aponta condutas suspeitas

A apuração detalha ainda que Dedel, natural do Maranhão, já foi preso em Roraima e condenado por recrutar adolescentes para o crime organizado, e chegou a cumprir pena em regime semiaberto antes de ser recapturado no Pará. Nas redes sociais, ele estava associado à facção, usando símbolos e gestos ligados ao PCC. Por outro lado, documentos analisados pelos promotores sugerem que Layla teria acesso a bancos de dados restritos e teria participado de decisões que favoreciam membros da organização. 

O caso ampliou o debate sobre a infiltração de grupos criminosos em instituições estatais, chegando a motivar declarações de um juiz responsável pela prisão, que alertou para o risco de “narcoestado” se tais vínculos não forem rigorosamente combatidos. A Operação Serpens cumpriu mandados não apenas em São Paulo, mas também em Marabá (PA), numa ação conjunta do Gaeco de São Paulo, da Corregedoria-Geral da Polícia Civil e do Gaeco do Pará.