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EUA, Gronelândia e o risco de colapso da NATO

14/01/2026 00:19 Por Redação NTD

Margrethe Vestager, antiga ministra dinamarquesa, alerta para consequências graves de uma possível intervenção americana no território ártico

Uma simples menção à Gronelândia transformou-se num dos mais tensos capítulos das relações transatlânticas de 2026. Imagine um território remoto, coberto de gelo, mas de importância geopolítica capaz de abalar alianças centenárias. Foi isso que políticos europeus descreveram recentemente quando discutiram a insistência dos Estados Unidos em “controlar” a ilha ártica, uma ambição que, segundo vozes proeminentes na União Europeia, poderia levar ao fim da NATO como a conhecemos. 

Margrethe Vestager, antiga ministra dinamarquesa e figura influente na política da UE, afirmou em entrevista que qualquer tentativa dos EUA de intervir militarmente na Gronelândia, que é parte do Reino da Dinamarca, representaria “a mais profunda ameaça existencial” para a aliança militar e para a segurança europeia. A ideia de um membro da NATO atacar o território de outro aliado seria tão disruptiva que poderia desfazer décadas de cooperação transatlântica. 

Pressão transatlântica

Os temores não são isolados. Líderes europeus, inclusive o primeiro-ministro da Dinamarca, já advertiram que um ataque norte-americano a um território aliado destruiria os pilares da defesa conjunta e do compromisso mútuo que sustentam a NATO desde o fim da Segunda Guerra Mundial. A UE chegou a afirmar que pode oferecer segurança à Gronelândia — se solicitado por Copenhague — como forma de reforçar laços e evitar uma escalada militar com Washington. 

O debate veio à tona em meio a declarações repetidas do presidente dos EUA sobre a necessidade estratégica de “posse” da Gronelândia para conter competidores globais como Rússia e China, além de negociações previstas entre autoridades dinamarquesas e figuras do governo norte-americano. Copenhagen e Nuuk, no entanto, têm sido firmes em rejeitar que o território esteja “à venda” e reiteram o seu compromisso com a soberania e com a cooperação internacional dentro do quadro legal vigente.