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Bem-estar & Saúde

Remédios sob suspeita: o risco silencioso da falsificação

14/01/2026 12:34 Por Redação NTD

Dados da ONU acendem alerta global, enquanto tecnologia e informação surgem como armas contra o comércio ilegal de medicamentos

O comprimido que promete alívio pode esconder perigo. Um recente apontamento da Organização das Nações Unidas (ONU) revela que um em cada dez medicamentos vendidos em países de baixa e média renda é falsificado ou de baixa qualidade, um cenário que ameaça diretamente a saúde pública. Diante desse risco silencioso, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) lançou, em maio deste ano, a publicação Falsificação de Medicamentos – Cartilha de Conscientização aos Consumidores, elaborada pelo Conselho Nacional de Combate à Pirataria (CNCP) em parceria com a Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), com o objetivo de informar a população sobre os perigos desse mercado ilegal.

Além da conscientização, o combate à fraude passa por soluções tecnológicas que reforçam a legislação e ampliam o controle da cadeia farmacêutica. A codificação de produtos é uma das principais ferramentas nesse processo, pois permite rastrear a origem do medicamento, acompanhar seu transporte e verificar sua chegada ao consumidor final, reduzindo brechas exploradas por falsificadores.

Sinais de alerta nas embalagens

Segundo Ramon Grasselli, gerente comercial da Soma Solution, fornecedora de equipamentos de codificação industrial, inspeção e automação, há indícios claros que podem ajudar o consumidor a identificar fraudes. “Geralmente, medicamentos falsificados apresentam código de lote ilegível ou vencimento apagado. Erros de ortografia na embalagem, além de lacres e selos danificados ou ausentes, também são comuns”, explica. De acordo com ele, os remédios são alvo frequente da falsificação por conta do alto valor agregado, o que exige atenção redobrada para não adquirir produtos que, além de ineficazes, alimentam esquemas criminosos.

Enquanto o consumidor exerce um papel importante ao desconfiar e denunciar, a indústria farmacêutica investe em tecnologias que ampliam a rastreabilidade em larga escala. Entre as soluções disponíveis estão equipamentos como a 1050, da Markem-Imaje, distribuída no Brasil pela Soma Solution, um codificador a jato de tinta térmico de alta resolução capaz de operar em altas velocidades e codificar desde embalagens até cápsulas. O portfólio inclui ainda a SmartLase C600, que utiliza laser CO₂ para marcações permanentes e limpas, e a SmartLase 350, capaz de codificar mais de cem mil produtos por hora, inclusive blisters metalizados. “A pirataria ultrapassou fronteiras e a fiscalização ainda é limitada diante da dimensão do mercado ilegal, mas as soluções de rastreabilidade reduzem falhas e aumentam a segurança ao longo de toda a cadeia”, ressalta Grasselli.