Em ousado plano geopolítico, Trump quer pagar aos moradores para enfraquecer os laços com a Dinamarca e se aproximar dos Estados Unidos
Nesta semana, a administração do Presidente Donald Trump discutiu internamente a possibilidade de oferecer pagamentos diretos que variam entre US$ 10 mil e US$ 100 mil por pessoa à população de cerca de 57 mil habitantes da Groenlândia (a maior ilha do mundo e território autônomo ligado à Dinamarca) como incentivo para que seus residentes apoiem uma separação de Copenhague e eventual alinhamento com os EUA. A estratégia, segundo fontes ouvidas pela Reuters, faz parte de uma série de opções sobre a mesa para ampliar a influência americana no Ártico, região de crescente importância estratégica.
A ideia de “comprar” apoio popular surge em meio a um impulso renovado de Trump para tornar a Groenlândia parte da esfera americana, argumentando que isso seria crucial para contrariar a influência de potências como Rússia e China na região. Enquanto o governo dos EUA afirma preferir uma solução diplomática, altos funcionários também não descartam outras alternativas mais duras ou até militares, caso acordos pacíficos falhem em trazer resultados.
Groenlândia não está à venda
Entre críticos da proposta, políticos groenlandeses e dinamarqueses foram enfáticos: “a Groenlândia não está à venda”, insistindo que qualquer decisão sobre o futuro do território deve ser tomada por seus próprios cidadãos e respeitando a soberania dinamarquesa. Autoridades europeias também se posicionaram de forma firme contra o que consideram interferência externa em assuntos internos de um território aliado dentro da OTAN.
Especialistas interpretam o movimento americano como parte de uma visão mais ampla de Trump para reforçar a presença dos EUA no Ártico, um palco cada vez mais disputado por razões militares e econômicas. Mesmo com o debate sobre pagamentos à população local, a oposição dentro da Groenlândia e da Europa reforça a complexidade de transformar propostas ambiciosas em realidade.