Confrontos armados no bairro de Bel Air interrompem único acesso à saúde para milhares de moradores da capital haitiana
O som dos tiros substituiu o atendimento médico em Bel Air. Em um dos bairros mais vulneráveis de Porto Príncipe, no Haiti, a escalada da violência forçou a organização humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF) a suspender, por tempo indeterminado, suas atividades de saúde. A decisão deixa milhares de pessoas sem qualquer assistência médica em uma região onde o Estado praticamente não chega.
A suspensão ocorre após intensos confrontos entre a Polícia Nacional Haitiana e grupos armados, que, esta semana, transformaram o antigo prédio escolar usado como posto de saúde em um verdadeiro campo de batalha. Sete agentes comunitários de saúde voluntários ficaram presos no local por horas até conseguirem escapar. Um ex-voluntário da comunidade, que havia colaborado com a MSF em 2025, foi gravemente ferido durante os ataques e morreu pouco depois, sem conseguir receber atendimento médico.
Clínicas fechadas, população desassistida
Segundo a MSF, o posto de saúde de Bel Air funcionava ao menos um dia por semana, enquanto agentes comunitários atuavam diariamente no encaminhamento e nos cuidados básicos aos pacientes. “As intervenções médicas que realizamos em Bel Air e Bas Delmas oferecem atendimento essencial a milhares de pacientes todos os meses. Sem essas clínicas, essas pessoas estão completamente sem acesso à saúde”, afirma Nicholas Tessier, coordenador do projeto da MSF no Haiti.
Diante do agravamento do cenário de insegurança, a organização humanitária fez um apelo direto às partes envolvidas no conflito para que respeitem as instalações médicas, os profissionais de saúde, os pacientes e a população civil. Para a MSF, o aumento da violência não apenas ameaça vidas, mas compromete de forma alarmante o já frágil acesso à saúde em Porto Príncipe.