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Justiça argentina quer Maduro em Buenos Aires: um novo capítulo jurídico na crise venezuelana

07/01/2026 15:51 Por Redação NTD

Pedido de extradição é apresentado após captura de Maduro nos EUA e reabre debate sobre responsabilidade por crimes contra a humanidade

Numa reviravolta digna de roteiro político-diplomático, a Argentina entrou nesta semana no tabuleiro jurídico internacional ao pedir formalmente a extradição de Nicolás Maduro, atualmente detido em Nova York, para que ele responda por crimes contra a humanidade em tribunais argentinos. A solicitação, feita pelo promotor Carlos Stornelli ao juiz federal Sebastián Ramos, surge em um contexto de intensa polarização regional, após a surpreendente captura do ex-líder venezuelano por forças dos Estados Unidos. 

O pedido argentino se baseia num processo iniciado em 2023, respaldado pelo princípio de jurisdição universal, que permite a investigação de graves violações de direitos humanos independentemente de onde foram cometidas ou da nacionalidade dos envolvidos. Desde setembro de 2024, a Justiça argentina já havia determinado a prisão imediata de Maduro e emitido ordem de captura internacional através da Interpol. As acusações incluem relatos de perseguição, tortura e sequestro que teriam sido praticados por agentes do Estado venezuelano, conforme depoimentos de refugiados e relatórios de organizações internacionais.  

O peso da jurisdição universal

A articulação jurídica em Buenos Aires não se limita ao ex-presidente venezuelano. O Ministério Público argentino pretende avançar no processo que abrange também outros membros do alto escalão chavista, incluindo o influente político Diosdado Cabello, com base na mesma lógica de responsabilização por crimes graves. A medida representa um esforço raro — e controverso — de um país latino-americano em estender sua justiça além das fronteiras tradicionais, confrontando diretamente uma figura que dominou a política venezuelana por mais de uma década. 

A iniciativa argentina acontece em meio a crescentes tensões diplomáticas e divergências na política regional pós-Maduro. Enquanto o presidente Javier Milei saudou a ação dos Estados Unidos que resultou na captura do líder venezuelano, as opiniões entre aliados variam, e o futuro político da Venezuela segue incerto. O pedido de extradição argentino, portanto, insere-se num cenário complexo de disputas sobre soberania, justiça internacional e reconciliação regional.