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Economia

Brasil 2026: Serviços e consumo deixarão o agro para trás

07/01/2026 19:47 Por Redação NTD

Com o agronegócio menos pujante e juros altos, setor de serviços deverá sustentar maior parte do crescimento do PIB

No ano em que a economia brasileira busca retomar fôlego, 2026 começa com um cenário que mistura cautela e resiliência: o tradicional motor do agronegócio, que tanto contribuiu em 2025, perde força em comparação ao ano anterior, abrindo espaço para outras áreas, especialmente serviços e consumo das famílias, liderarem o avanço do Produto Interno Bruto (PIB). Segundo previsões de economistas ouvidos pelo mercado, cerca de 59% do crescimento econômico previsto para o próximo ano virá justamente desse conjunto de atividades, que inclui comércio, transportes, bancos e demais prestadores de serviços. O crescimento do PIB deve moderar de 2,3% em 2025 para cerca de 1,8% em 2026, conforme projeções coletadas pelo Banco Central no Relatório Focus. 

Ao contrário de 2025, quando condições climáticas favoráveis impulsionaram uma safra recorde, e reforçaram o papel do agronegócio no crescimento (respondendo por cerca de um quarto da expansão do PIB no ano anterior), para 2026 as expectativas apontam para um desempenho mais modesto no campo. Analistas destacam que a base de comparação mais alta e possíveis alterações nas condições climáticas limitam as chances de repetição do forte impulso agrícola, cuja contribuição estimada deve cair para algo em torno de 6% do crescimento. Enquanto isso, consumidores e empresas de serviços devem manter a economia em movimento. 

Serviços no comando

No centro deste rearranjo está o setor de serviços, que continuará a ser o principal responsável pelo crescimento em 2026, apoiado por um mercado de trabalho ainda robusto e medidas de estímulo ao consumo, como a ampliação de créditos e a elevação do salário mínimo. Esses fatores devem equilibrar, em parte, os efeitos de uma política monetária ainda restritiva, com juros altos que pressionam segmentos intensivos em crédito, como a construção civil, e a indústria de transformação. Apesar da desaceleração geral, segmentos ligados ao consumo direto das famílias tendem a manter a economia em movimento, ressaltando o papel de serviços como o propulsor essencial do PIB no próximo ano. 

Esse cenário mostra um ajuste natural da economia brasileira a um contexto global mais desafiador, e a limitações internas de política monetária, mas também destaca a capacidade de adaptação do país em realocar fontes de crescimento. À medida que 2026 avança, a combinação entre consumo resiliente, expansão de serviços e moderação das pressões inflacionárias será fundamental para determinar se o Brasil conseguirá sustentar um crescimento econômico mais duradouro, embora em ritmo moderado.