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Economia

Efeito dominó na América do Sul: colapso do regime Maduro ameaça sacudir a economia brasileira

04/01/2026 13:11 Por Redação NTD

Repercussões vão do petróleo ao comércio e impactos regionais podem alterar cenários

No crepúsculo de uma era autoritária que arrastou a Venezuela para um dos piores colapsos econômicos do hemisfério, o fim, ou a iminente derrocada, do regime de Nicolás Maduro tem reverberado além das fronteiras de Caracas. O ocaso de um governo marcado por hiperinflação, queda vertiginosa da produção de petróleo e intensa migração, que transformou o país vizinho em um dos maiores fluxos de refugiados da América Latina, agora acende o radar de economistas e governantes brasileiros, que avaliam o impacto dessa turbulência no Brasil. 

A economia venezuelana, antes sustentada por receitas de petróleo, viu sua produção despencar ao longo de mais de uma década de má gestão e sanções internacionais, resultando em uma contração acumulada de cerca de 75% do PIB desde 2013 e hiperinflação que corroeu a moeda e a renda da população.  O Brasil, historicamente um dos maiores parceiros comerciais da Venezuela na América do Sul, já presenciou uma queda drástica nas exportações para o país vizinho durante a crise — volume que chegou a reduzir-se em quase 90% em comparação com picos anteriores. 

Choques e oportunidades

Para os mercados brasileiros, a instabilidade venezuelana traz três vetores principais de impacto: o comércio bilateral, os fluxos migratórios e o setor de energía. A interrupção das relações comerciais prejudica setores exportadores que dependiam de demanda venezuelana, ao passo que a crise migratória impôs pressões humanitárias e ajustou dinâmicas locais de trabalho especialmente em estados de fronteira.  No front energético, a expectativa de reconfiguração da oferta de petróleo, com o possível redirecionamento de fluxos antes dominados por compradores como a China para refinarias dos EUA, pode alterar preços e oportunidades de integração regional nas cadeias de energia.

A longo prazo, a reconstrução da economia venezuelana será uma tarefa monumental, com estimativas apontando para investimentos bilionários e décadas de trabalho para recuperar infraestrutura e confiança de investidores — um processo que, se bem-sucedido, poderia reintroduzir um parceiro econômico relevante no subcontinente, beneficiando inclusive setores brasileiros exportadores e investidores.  Contudo, os riscos continuam elevados: a instabilidade política recente e a reação de potências globais ao envolvimento dos EUA no processo acrescentam incertezas sobre o ambiente de negócios futuro. A economia brasileira, por sua vez, observa de perto, ponderando entre desafios imediatos e as perspectivas de um novo capítulo nas relações econômicas da região.