Em um marco histórico, as montadoras chinesas entram 2026 como as maiores vendedoras de carros do planeta, pondo fim a quase três décadas de supremacia japonesa
No ano em que se completou quase 30 anos de domínio japonês nas vendas globais de automóveis, 2025 ficou registrado como o ponto de virada: fabricantes chinesas venderam cerca de 27 milhões de veículos em todo o mundo, superando pela primeira vez os 25 milhões vendidos pelas tradicionais montadoras japonesas, segundo estimativas baseadas em dados de empresas e da consultoria S&P Global Mobility.
O crescimento acelerado vem em grande parte do mercado interno da China, responsável por cerca de 70% desse volume, impulsionado pela alta demanda por veículos eletrificados — incluindo elétricos a bateria e híbridos plug-in que já representam quase 60% das vendas de carros de passeio no país. Além disso, marcas como BYD e Geely entraram no seleto grupo das dez maiores montadoras do mundo, com a Chery também se destacando nas exportações.
Chineses em todos os continentes
Apesar de enfrentar tarifas de importação em alguns mercados, as fabricantes chinesas ampliaram sua presença internacional: estima-se que cerca de 2,3 milhões de veículos tenham sido vendidos na Europa em 2025, quase meio milhão no Sudeste Asiático, e também houve crescimento significativo nas Américas e na África.
A virada não é apenas numérica, mas simbólica. Após décadas de liderança japonesa — cujo auge foi em 2018 com quase 30 milhões de carros vendidos globalmente —, a ascensão da China reflete uma transformação profunda na indústria automotiva mundial, impulsionada pela transição energética, inovações tecnológicas e estratégia de expansão internacional cada vez mais agressiva.