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Economia

Economia patina e futuro preocupa: crescimento limitado expõe fragilidades do modelo brasileiro

29/12/2025 13:40 Por Redação NTD

Projeções do Focus mantêm PIB de 2025 em 2,26%, mas mercado vê 2026 marcado por juros elevados, inflação persistente e pouco espaço para avanço sustentável

O dado é estável, mas o recado é duro. A manutenção da projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2,26% em 2025, segundo o boletim Focus, reforça a leitura de que a economia perdeu capacidade de reação. Para analistas, a ausência de revisões positivas não representa segurança, e sim a consolidação de um cenário de baixo dinamismo, no qual o país cresce pouco, sem força para gerar um ciclo consistente de investimentos, produtividade e renda.

O horizonte de 2026 amplia a preocupação. A expectativa de crescimento segue limitada a 1,80%, em um ambiente cada vez mais pressionado pela tensão entre políticas fiscais expansionistas e o esforço do Banco Central para conter a inflação. O mercado avalia que a expansão dos gastos públicos, sem contrapartidas claras de ajuste fiscal, aumenta a desconfiança, reduz previsibilidade e mantém a economia refém de decisões de curto prazo, dificultando um planejamento de longo alcance.

Juros altos e inflação resistente

Nesse contexto, a inflação aparece como um dos principais entraves ao crescimento. A avaliação predominante entre economistas é de que vamos ter uma taxa de dois dígitos enquanto prevalecer esse modelo que incentiva o consumo via crédito ou via concessão de benefícios sociais. Esse estímulo ao consumo, sem avanço equivalente na produção e nos investimentos, tende a pressionar preços, exigir uma política monetária mais dura e prolongar o ciclo de juros elevados.

O resultado é um círculo vicioso: juros altos encarecem o crédito, desestimulam o investimento produtivo e limitam a geração de empregos de maior qualidade, o que, por sua vez, restringe o crescimento do PIB. Assim, o boletim Focus deixa de ser apenas um termômetro do mercado e passa a funcionar como um alerta. Sem mudanças no rumo da política fiscal e maior coordenação com o controle inflacionário, o Brasil corre o risco de atravessar os próximos anos preso a um crescimento fraco, instável e insuficiente para enfrentar seus desafios estruturais.