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Bem-estar & Saúde

Calor que desafia a biologia: corpo humano entra em alerta com temperaturas acima de 35 °C

27/12/2025 12:24 Por Redação NTD

Especialistas soam o alarme sobre a incapacidade do organismo de funcionar normalmente em ondas de calor intensas

Quando o termômetro ultrapassa os 35 °C com alta umidade, o corpo humano começa a perder a capacidade de manter seu equilíbrio térmico — e isso pode deixar de ser apenas um desconforto para virar uma ameaça real à saúde. Nas últimas semanas, uma onda de calor recorde no Sudeste, Centro-Oeste e Sul do Brasil tem empurrado as temperaturas a níveis perigosos, levando o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) a emitir avisos vermelhos de grande perigo em várias capitais. Esses alertas não refletem apenas sensação térmica: eles apontam para uma sobrecarga fisiológica profunda que pode culminar em falência térmica, quadro definido pela confusão mental, pele quente e seca e elevação excessiva da temperatura corporal. 

O calor extremo é resultado, em grande parte, das mudanças climáticas induzidas pelo homem, e não se limita àquele “mal-estar” que muitos associam a dias ensolarados. Segundo o clínico geral Luiz Fernando Penna, do Hospital Sírio-Libanês, a combinação de suor excessivo, dilatação dos vasos sanguíneos e aceleração dos batimentos cardíacos empurra o organismo ao limite. Quando esses mecanismos falham, a falência térmica pode se instalar rapidamente, exigindo atendimento médico imediato. Condições crônicas como hipertensão, insuficiência cardíaca, diabetes e uso de certos medicamentos podem agravar ainda mais esse risco.  

Sinais de alerta e dicas de proteção

Além dos riscos à saúde física, o calor intenso também impacta o bem-estar geral: interfere no sono, eleva irritabilidade e reduz a produtividade. A recomendação de especialistas vai além da simples hidratação — inclui evitar exposição ao sol entre 10h00 e 16h00, utilizar roupas leves e claras, permanecer em ambientes ventilados e suspender atividades físicas nas horas mais quentes. Trabalhadores expostos continuamente ao calor, como os da construção civil e entregadores, devem fazer pausas frequentes para reduzir os riscos de colapso térmico. 

Pesquisas recentes da Fundação Oswaldo Cruz reforçam a seriedade da situação: dados analisados pela Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca indicam que altas temperaturas estão associadas ao aumento da mortalidade, sobretudo entre idosos e pessoas com doenças pré-existentes como Alzheimer e insuficiência renal. Especialistas lembram que “não existe adaptação completa para ondas de calor extremas e repetidas” — um aviso de que prevenir e reconhecer os primeiros sinais de falência térmica pode salvar vidas neste verão atípico.