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Gastronomia e Turismo

Fazenda São Luiz da Boa Sorte: passado preservado, futuro cultivado

25/12/2025 11:03 Por Redação NTD

Patrimônio do Vale do Café une restauração histórica, turismo, café especial e projetos ambientais em Vassouras

Erguida em 1835, em Vassouras, a Fazenda São Luiz da Boa Sorte atravessou quase dois séculos como testemunha viva da história do Vale do Café. Nascida da unificação das antigas propriedades São Luiz e Boa Sorte, fundadas pelos irmãos Paulo e Quintiliano Gomes Ribeiro de Avellar, a fazenda é hoje um dos grandes patrimônios históricos e culturais da região, combinando memória, preservação e novos usos.

Em 2004, ao saberem que a propriedade estava abandonada e à venda, Nestor Rocha e sua esposa, Liliana Rodriguez, decidiram comprá-la de porteira fechada. O desafio era enorme: a casa principal estava em estado tão precário que permitia a livre entrada de animais. Entre 2004 e 2012, o casal promoveu uma restauração completa do imóvel e do mobiliário encontrado, além de buscar peças de época em antiquários para devolver ao casarão a sua grandeza original. O processo abriu caminho para uma nova fase, marcada pela vocação cultural e turística da fazenda.

Do casarão ao café especial

Ao fim do primeiro ciclo de obras, o curador Claudio Lobato foi convidado a criar o evento Casa Real, que reuniu arquitetos, decoradores e paisagistas em uma exposição inspirada no modelo da Casa Cor, mas ambientada na arquitetura colonial do século XIX. O sucesso, repetido em 2013 e 2014, trouxe grande visibilidade e confirmou o potencial da fazenda para eventos e turismo. Desde 2017, a propriedade funciona como hotel, recebe visitantes e mantém investimentos constantes em conservação e novos projetos. Paralelamente, a produção de café foi retomada com força: em 2025, o plantio de 5 mil mudas rendeu resultados técnicos expressivos, com 86 pontos na escala SCA em avaliação da Emater.

Essa retomada impulsionou iniciativas como o Replanta Vale, criado em 2023 e já em sua terceira edição, reunindo produtores, pesquisadores, baristas e especialistas em um amplo fórum de debates e conexões. A fazenda também se consolidou como espaço cultural, com destaque para apresentações como a do tenor Erick Herrero, e como polo de preservação, abrigando o Museu do Café e projetos ambientais, educacionais e de turismo pedagógico. Tombada e aberta à visitação, a São Luiz da Boa Sorte olha para novos horizontes, como a possível produção de vinho, mantendo a mesma visão de futuro que guia Nestor Rocha e Liliana Rodriguez: preservar a história, cultivar o presente e inspirar o Vale do Café.