Polêmica em torno de campanha publicitária faz papel da Alpargatas cair e preocupa investidores
No final do pregão desta segunda-feira, 22, o mercado financeiro brasileiro sentiu os efeitos de um boicote inusitado que saiu das redes sociais e chegou à Bolsa de Valores. As ações preferenciais da Alpargatas (ALPA4), dona da marca Havaianas, encerraram o dia com queda próxima de 3%, refletindo uma perda de cerca de R$ 152 milhões no valor de mercado em meio à repercussão negativa de um chamado ao boicote feito pelo ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro.
O movimento começou no domingo, 21, quando o político publicou um vídeo nas redes em que aparece jogando um par de chinelos da marca no lixo e criticando uma campanha publicitária de fim de ano estrelada pela atriz Fernanda Torres. Na peça, a atriz diz: “desculpa mas eu não quero que você comece 2026 com o pé direito”, frase que provocou interpretações de cunho político entre apoiadores de Bolsonaro e simpatizantes da direita nas redes sociais.
Repercussão e impacto
Para Eduardo Bolsonaro, a escolha da atriz e o tom do comercial sugerem um “alinhamento ideológico” que afasta parte dos consumidores conservadores, argumento que ganhou tração entre aliados e influenciadores de direita, e intensificou os pedidos de boicote à marca, mesmo sem qualquer pronunciamento oficial da Alpargatas sobre a polêmica.
A queda nas ações da marca evidencia como questões culturais e políticas podem afetar o desempenho de empresas no mercado financeiro. A companhia, conhecida internacionalmente pela popularidade das Havaianas, tem entre seus principais acionistas a Itaúsa S.A. e a Cambuhy Alpa Holding Ltda., e, agora, monitora de perto os desdobramentos de uma controvérsia que mistura consumo, política, e a sensibilidade dos investidores brasileiros.