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China acusa Estados Unidos de “violação grave” após apreensão de navios no Caribe

22/12/2025 17:55 Por Redação NTD

Beijing repudia ações norte-americanas perto da Venezuela e reforça apoio a Caracas em meio a bloqueio de petroleiros

Em um gesto diplomático de forte tom, o governo chinês declarou nesta segunda-feira, 22, que a apreensão de navios por forças dos Estados Unidos no mar do Caribe representa uma “grave violação do direito internacional”, alimentando ainda mais a crise geopolítica em torno de Venezuela, Estados Unidos e Pequim. A crítica ocorre depois que a Guarda Costeira dos EUA interceptou um petroleiro carregado com cerca de 1,8 milhão de barris de petróleo venezuelano rumo à China, em uma ação integrada ao bloqueio naval imposto por Washington às embarcações sancionadas que entram ou saem da Venezuela. As declarações chinesas foram dadas pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lin Jian, em Pequim, e ecoam a posição de Caracas, que classificou as ações como “pirataria internacional”. 

A tensão entre Washington e Caracas tem escalado rapidamente. Os Estados Unidos, sob a liderança do presidente Donald Trump, vêm reforçando a presença militar no Caribe e lançaram uma campanha de bloqueio contra o que chamam de “frota negra” de petroleiros usados para violar sanções, com alvos sucessivos no mar internacional. Nos últimos dias, a Guarda Costeira interceptou mais de uma embarcação suspeita, enquanto uma terceira – identificada como Bella 1 – está sendo perseguida em águas internacionais sob suspeita de falsificação de bandeira e evasão de sanções.  

Maré alta nas relações internacionais

Pequim reagiu duramente, acusando os EUA de “arbitrariamente” apreender navios de outras nações e violar princípios consagrados no direito marítimo. O porta-voz Lin Jian reforçou que a China se opõe a sanções unilaterais sem autorização do Conselho de Segurança da ONU e que Caracas tem o direito de manter relações comerciais legítimas com parceiros externos, referindo-se claramente à importância do petróleo venezuelano para o mercado chinês, responsável por cerca de 4% das importações de cru do país asiático. 

A Venezuela, por sua vez, tem usado a retórica para amplificar a crítica internacional às ações dos EUA, classificando as intervenções como “ataques de corsários” e apelando a instâncias como a ONU para denunciar as operações marítimas americanas. A escalada diplomática evidencia um embate mais amplo que ultrapassa as águas do Caribe, colocando Estados Unidos e China em lados opostos de um conflito que combina interesses energéticos, geopolítica, e interpretações divergentes sobre soberania e ordem internacional.