Notícia Todo Dia NTD
SP

São Paulo aprova orçamento bilionário em meio a alerta de recursos “encolhidos”

17/12/2025 10:22 Por Redação NTD

Lei orçamentária de 2026 prevê R$ 382 bilhões, mas inflação pode reduzir receita real e aumentar tensões políticas

Na calada da noite de terça-feira, 16, a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) viveu uma sessão tensa e histórica: deputados aprovaram o orçamento estadual para 2026, fixado em R$ 382,3 bilhões, com 58 votos favoráveis e 19 contrários. Apesar do número impressionante no papel, especialistas e parlamentares apontam que o aumento nominal de 2,6 % em relação ao orçamento deste ano não acompanha a inflação projetada, gerando uma queda real na arrecadação e preocupação sobre a capacidade do governo manter serviços públicos e investimentos no próximo ano. 

A principal crítica gira em torno da disparidade entre crescimento nominal e poder de compra real dos recursos estaduais. Mesmo com um acréscimo de cerca de R$ 10 bilhões em valores nominais em relação a 2025, a inflação prevista para o período supera essa alta, de modo que o orçamento, em termos reais, perde força de investimento e aplicação nas políticas públicas.  

Destaques e desafios

Também chamou atenção a forte redistribuição de recursos entre as áreas do governo. Programas sociais, obras de infraestrutura e parcerias público-privadas receberam destaque na proposta originalmente enviada pelo Executivo, que destinou mais de R$ 30 bilhões a investimentos e reservou quase três quartos da receita para setores essenciais como educação, saúde e segurança pública.  

No entanto, deputados de oposição criticaram o aumento das renúncias fiscais — que diminuem a arrecadação prevista — e a redução de verbas em áreas sensíveis como habitação e políticas para mulheres, argumentando que isso pode agravar desigualdades e comprometer serviços básicos. A aprovação do orçamento, portanto, foi vista como um teste de equilíbrio entre metas fiscais e a pressão por políticas sociais efetivas em um ano que promete ser desafiador economicamente e politicamente.