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2026 à vista: o Brasil diante de escolhas que podem mudar nossas vidas

17/12/2025 10:09 Por Redação NTD

A chegada de 2026 não é apenas um marco no calendário político e econômico do país, mas um teste decisivo sobre a capacidade do Estado brasileiro de fazer escolhas estratégicas. O cenário desenhado para os próximos anos combina crescimento moderado, restrições fiscais persistentes e uma sociedade cada vez mais pressionada por demandas históricas não resolvidas. Nesse contexto, saúde, cultura, educação e segurança deixam de ser áreas isoladas de política pública e passam a compor um mesmo tabuleiro, onde decisões mal calibradas tendem a gerar efeitos em cadeia.

Na saúde, a expansão da telemedicina e dos sistemas digitais é um avanço inegável, sobretudo para regiões onde o acesso sempre foi limitado. No entanto, tecnologia não substitui financiamento adequado nem resolve sozinha a sobrecarga do SUS. O envelhecimento da população, o aumento dos transtornos mentais e as desigualdades regionais exigem uma abordagem mais robusta, centrada na prevenção e na atenção básica. Parcerias com o setor privado podem ser parte da solução, desde que não aprofundem assimetrias e não transformem o direito à saúde em mercadoria.

A cultura e a educação, frequentemente tratadas como áreas secundárias em momentos de ajuste fiscal, serão decisivas para o futuro do país. A economia criativa mostra potencial de geração de renda e identidade, mas sofre com a instabilidade de políticas públicas e com cortes recorrentes que penalizam produtores locais e iniciativas periféricas. Na educação, a consolidação de modelos híbridos é inevitável, mas não pode mascarar lacunas graves deixadas pela pandemia. Recuperar aprendizagens, valorizar professores e alinhar formação técnica às demandas do mercado não é inovação: é urgência. 

Já na segurança, o debate precisa ir além da promessa de mais tecnologia e vigilância. Inteligência policial e defesa cibernética são necessárias, mas insuficientes se não vierem acompanhadas de políticas sociais que enfrentem as raízes da violência. Desemprego, exclusão e ausência do Estado em territórios vulneráveis seguem alimentando um ciclo que nenhuma câmera ou algoritmo é capaz de romper sozinho. A experiência brasileira mostra que repressão sem prevenção gera estatísticas, não soluções.

O Brasil que chegará a 2026 será reflexo das escolhas feitas agora. Persistir em políticas fragmentadas e respostas de curto prazo significa aceitar a manutenção das desigualdades e da ineficiência. Apostar em planejamento, integração entre áreas e compromisso social, mesmo em um ambiente fiscal adverso, é o único caminho para transformar tendências em oportunidades reais. O futuro não está dado — ele será, como sempre, uma decisão política.

Graça Duarte é jornalista, escritora, psicanalista e parapsicóloga. Atua nas áreas de assessoria de comunicação, gestão de tráfego, projetos, eventos, cursos e palestras; e escreve sobre bem-estar e saúde mental no Notícia Todo Dia.