Operação em águas internacionais faz parte de campanha contra narcotráfico sob crescente crítica global
A noite de segunda-feira, 15, no Oceano Pacífico Oriental ficou marcada por explosões que ceifaram a vida de oito pessoas após os Estados Unidos lançarem ataques contra três embarcações em alto mar. Segundo o Comando Sul americano, as embarcações estariam transitando por rotas conhecidas do narcotráfico e foram alvos de uma ofensiva que, segundo Washington, busca desarticular redes de tráfico de drogas; uma ação que vem sendo ampliada nos últimos meses.
O Comando Sul informou que as ações, conduzidas sob a direção do secretário de Defesa Pete Hegseth, atingiram três barcos operados por grupos rotulados como organizações terroristas, resultando em três mortes no primeiro, duas no segundo e outras três no terceiro ataque. Vídeos divulgados pela própria força mostram as embarcações sendo atingidas por mísseis em águas internacionais do Pacífico.
O caldeirão marítimo
Críticos internacionais e especialistas em direito alertam que essa utilização de força letal em alto mar, sem apresentação pública de provas concretas sobre o envolvimento em narcotráfico, levanta sérias questões legais sobre execuções extrajudiciais e a validade do uso de operações militares em contextos de combate ao tráfico. A campanha, que inclui já mais de duas dezenas de ataques a embarcações no Caribe e no Pacífico, deixou ao menos 90 mortos e ampliou o debate sobre o papel das forças armadas americanas em missões dessa natureza.
Além do foco nas rotas de contrabando, os recentes ataques também repercutiram politicamente, especialmente por intensificarem tensões com governos da região, como o da Venezuela, cujo presidente classificou as ações como uma “guerra não declarada” e pediu investigações internacionais. Enquanto isso, nos Estados Unidos, membros do Congresso vêm questionando os instrumentos legais que autorizam tais operações, pressionando por maior transparência e supervisão sobre o uso de força em águas internacionais.