Indicador do Banco Central cai 0,2% em outubro, sob impacto dos juros altos; mercado projeta crescimento menor em 2025
A economia brasileira pisou no freio mais uma vez. Em outubro, a chamada “prévia do PIB” voltou a encolher, desenhando um cenário de desaceleração que já estava no radar do governo, do mercado financeiro e do próprio Banco Central. O tombo do indicador reforça a leitura de que os juros elevados começam a cumprir seu papel de esfriar a atividade para conter a inflação. Divulgado nesta segunda-feira, 15, o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), calculado pelo Banco Central, registrou retração de 0,2% em outubro na comparação com setembro, após ajuste sazonal. Foi o segundo mês consecutivo de queda do indicador
O recuo mensal refletiu desempenhos distintos entre os setores: a agropecuária cresceu 3,1%, enquanto a indústria caiu 0,7% e os serviços recuaram 0,2% em outubro. Ainda assim, o IBC-Br acumula crescimento de 2,4% nos dez primeiros meses de 2024 e de 2,5% no período de 12 meses até outubro, ambos sem ajuste sazonal. O resultado reforça a expectativa de desaceleração ao longo do ano, em meio à taxa Selic de 15% ao ano (o maior nível em quase duas décadas) mantida pelo Banco Central para conter as pressões inflacionárias.
PIB abaixo do esperado
A autoridade monetária já deixou claro que um ritmo menor de crescimento faz parte da estratégia para trazer a inflação de volta à meta de 3%. No último comunicado do Copom, o BC destacou que o chamado “hiato do produto” segue positivo, indicando que a economia ainda opera acima do seu potencial. Para 2025, o mercado financeiro projeta uma expansão do PIB de 2,25%, abaixo dos 3,4% registrados no ano passado, com expectativa de cortes nos juros apenas a partir de 2026.
Embora seja conhecido como a “prévia do PIB”, o IBC-Br tem metodologia diferente da adotada pelo IBGE no cálculo oficial do Produto Interno Bruto. O indicador do Banco Central reúne estimativas da agropecuária, da indústria, dos serviços e dos impostos, mas não considera o lado da demanda. Ainda assim, funciona como uma das principais bússolas do BC na definição da taxa básica de juros, ao sinalizar o ritmo da atividade econômica e seus potenciais impactos sobre a inflação.