Falta de energia derruba faturamento de comércio e serviços, acende alerta econômico e pressiona concessionária por explicações
A cidade ainda tentava se recompor do vendaval quando o impacto real começou a aparecer nos caixas. Com vitrines apagadas, portas fechadas e serviços interrompidos, a falta de energia causada pela passagem de um ciclone extratropical transformou a escuridão em prejuízo: comércio e serviços perderam juntos ao menos R$ 1,54 bilhão em faturamento na Grande São Paulo.
Os números são da FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo), que calcula as perdas acumuladas desde a última quarta-feira, quando mais de 2,2 milhões de residências e empresas tiveram o fornecimento de energia interrompido. O setor de serviços foi o mais afetado, com prejuízo superior a R$ 1 bilhão, enquanto o comércio deixou de faturar cerca de R$ 511 milhões no período.
Pressão sobre a concessionária
Diante da dimensão do apagão, o Procon cobrou explicações da Enel e reforçou que concessionárias de energia são obrigadas a descontar das faturas os períodos sem fornecimento, além de ressarcir consumidores por alimentos e medicamentos que tenham sido perdidos em razão da falta de luz. O órgão destacou que os consumidores devem registrar reclamações e guardar comprovantes dos prejuízos.
A FecomercioSP alerta que o impacto econômico pode ser ainda maior do que o estimado. Os cálculos não incluem perdas de estoques, mercadorias descartadas nem os custos fixos mantidos mesmo com as empresas sem receita. “No limite, as perdas totais do varejo e dos serviços devem aumentar”, avalia a entidade, que vê no episódio mais um sinal da vulnerabilidade da infraestrutura diante de eventos climáticos extremos.