Terceiro dia de apagão após vendaval reacende debate sobre energia e adaptação climática na capital
O sábado, 13, começou com ruas ainda silenciosas e milhares de casas às escuras em São Paulo, como se a cidade tivesse apertado o botão de pausa. Pelo terceiro dia seguido, moradores enfrentam a falta de energia elétrica após o vendaval da última quarta-feira, 10, que atingiu ventos de 96,3 km/h e deixou cerca de dois milhões de imóveis sem luz, escancarando a vulnerabilidade da maior metrópole do país diante de eventos climáticos extremos.
Enquanto o prefeito Ricardo Nunes (MDB) defende publicamente a substituição da Enel, alegando que a concessionária não dá conta do serviço, a própria administração municipal admite não ter um plano específico para lidar com blecautes provocados por temporais, vendavais ou ondas de calor. A ausência de um protocolo claro tem ampliado a sensação de improviso em meio à crise energética que afeta bairros inteiros da capital.
Plano sem luz
De acordo com o PlanClima, Plano de Ação Climática de São Paulo criado em 2021 e atualizado anualmente, não há qualquer diretriz voltada à resposta da cidade a apagões decorrentes de fenômenos climáticos extremos. Embora o documento estabeleça metas até 2050 e cite ações como o aprimoramento de alertas de tempestades e a revisão de protocolos de mobilidade, ele não aborda impactos diretos na infraestrutura de distribuição de energia.
Essa lacuna contrasta com o debate global travado na COP30, realizada no mês passado em Belém (PA), onde a adaptação climática foi um dos temas centrais entre 194 países. A conferência reforçou que cidades precisam se preparar para minimizar danos causados por ventos intensos, chuvas volumosas e outros eventos extremos — um alerta que, no caso de São Paulo, chega acompanhado de ruas apagadas e de uma pergunta ainda sem resposta: como evitar que o próximo temporal repita o mesmo cenário.