Desequilíbrio produtivo, carga tributária, inadimplência e baixa formalização pressionam crescimento econômico
O retrato demográfico, social e econômico do Brasil em 2025 revela um país que parece sustentar seu peso populacional sobre poucos ombros. Com 213,4 milhões de habitantes, segundo o IBGE, quase 54 milhões recebem o Bolsa Família, incluindo 9,12 milhões de crianças de zero a seis anos, 12,3 milhões de sete a 16 anos, 2,6 milhões de 16 a 18, e 29,98 milhões de adultos. Uma estrutura que, ao mesmo tempo em que reduz a pobreza, acende alertas sobre a pressão exercida sobre a população ativa.
De acordo com o Ipea, havia 51,7 milhões de crianças e adolescentes até 18 anos no país em 2022. Excluídos esses e os beneficiários adultos do Bolsa Família, o contingente potencialmente ativo cairia para 131,72 milhões. A Previdência Social, porém, paga 40,4 milhões de benefícios, o que reduz a população economicamente ativa para 91,32 milhões. Destes, 48,25 milhões têm emprego formal, enquanto 43,07 milhões permanecem fora do mercado de trabalho.
Pressão sobre quem produz
Entre os trabalhadores empregados, 12,4 milhões são funcionários públicos, restando à iniciativa privada apenas 30,67 milhões de pessoas com vínculo formal e responsáveis diretos pela geração de tributos sem representar despesas recorrentes ao Estado. Paralelamente, o ambiente empresarial vive expansão e fragilidade: foram 1.407.010 novas empresas abertas até março de 2025, sendo 78% MEIs, e o Brasil chegou ao posto de 6º país com mais empreendedores, somando 47 milhões à frente de algum negócio (formais ou informais). Mesmo assim, a inadimplência disparou: 78,8 milhões de consumidores estão negativados, somando R$ 494,1 bilhões em dívidas, enquanto 7,69 milhões de micro e pequenas empresas também enfrentam pendências financeiras.
Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) confirma o peso dessa engrenagem tensionada: para 70% dos empresários, a carga tributária é o principal obstáculo ao crescimento. A dificuldade de contratar mão de obra qualificada aparece em seguida, com 62%, seguida de entraves para financiar o negócio (27%), segurança jurídica e regulatória (24%) e competitividade justa (22%). Nesse contexto, a reforma tributária chega como promessa de alívio a um país onde 48,25 milhões de trabalhadores formais e 47 milhões de empreendedores movimentam a economia enquanto convivem com recordes de inadimplência e baixo dinamismo produtivo.