Notícia Todo Dia NTD
Economia

Indústria, Comércio e sindicatos acusam o governo e pressionam BC por corte imediato da Selic

11/12/2025 02:53 Por Redação NTD

Setor produtivo afirma que juros a 15% travam investimentos, consumo e empregos

O clima no setor produtivo azedou de vez após o Banco Central manter a Taxa Selic em 15% ao ano. Como se um freio de mão tivesse sido puxado em plena curva da economia, representantes da indústria, do comércio e de centrais sindicais afirmam que a decisão, embora esperada, reforça um descompasso entre a política monetária e a realidade de um país com inflação em queda, atividade desaquecendo e mercado de trabalho perdendo vigor. 

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) foi uma das primeiras a reagir, afirmando que o BC ignorou “evidências robustas” de que já seria possível iniciar o ciclo de redução da Selic. Segundo o presidente Ricardo Alban, manter os juros no atual patamar é “excessivo e prejudicial”, encarecendo o crédito, travando investimentos e aprofundando a perda de ritmo da economia. Na construção civil, o alerta é semelhante: para Renato Correia, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o crescimento do setor em 2026 depende de cortes rápidos e consistentes na taxa básica. 

Comércio também critica postura do BC

No varejo, o tom é de frustração. O economista-chefe da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Felipe Queiroz, disse que a política do BC está “desconectada” da conjuntura nacional e internacional, lembrando que países como os Estados Unidos já iniciaram seus ciclos de queda dos juros. Para ele, a Selic elevada amplia entraves estruturais, reduz consumo, trava investimentos e ainda complica a gestão da política fiscal. Já a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) adotou postura mais moderada: para o economista Ulisses Ruiz de Gamboa, embora a manutenção fosse esperada, o comunicado do Copom será fundamental para entender os sinais sobre os próximos passos, em um contexto ainda delicado de inflação e expectativas acima da meta.

As centrais sindicais engrossaram o coro. A CUT classificou a decisão como um “descumprimento das necessidades da população e do setor produtivo”. Juvandia Moreira, presidenta da Contraf-CUT e vice-presidenta da central, afirmou que juros elevados desviam recursos do investimento produtivo para o “rentismo” e já provocam queda no consumo, desaceleração do PIB e perda de dinamismo no mercado de trabalho. A Força Sindical foi ainda mais dura: o presidente Miguel Torres chamou a decisão de “vergonha nacional”, acusou o Copom de favorecer especuladores e disse que o país vive “a era dos juros extorsivos”, que sufocam campanhas salariais, limitam o consumo e impõem obstáculos ao desenvolvimento.