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Bem-estar & Saúde

Engenheiro agrônomo brasileiro integra a lista “Nature’s 10” por avanço no controle de arboviroses

12/12/2025 22:29 Por Redação NTD

Pesquisa sobre bactéria Wolbachia aplicada ao Aedes aegypti é apontada como inovação transformadora na saúde pública

O engenheiro agrônomo Luciano Andrade Moreira foi incluído pelos editores da revista Nature entre os dez pesquisadores que mais influenciaram a ciência em 2025, na seleção conhecida como “Nature’s 10”. Há mais de uma década dedicado ao estudo do uso da bactéria natural Wolbachia no mosquito Aedes aegypti, Moreira desenvolveu uma técnica que reduz a capacidade do vetor de transmitir arboviroses como dengue, zika e chikungunya, e que tem mostrado efeitos promissores em programas de saúde pública.

O Método Wolbachia baseia-se na observação, feita já em 2009, de que mosquitos infectados pela bactéria apresentam menor probabilidade de adquirir e transmitir vírus. Embora o mecanismo exato ainda seja objeto de investigação, possivelmente envolvendo competição por recursos intracelulares ou ativação de respostas antivirais, os resultados em campo são animadores: ao se reproduzirem, os mosquitos infectados, chamados de wolbitos, transmitem a Wolbachia às gerações subsequentes, disseminando a proteção nas áreas onde são liberados.

Como funciona o programa

A multiplicação controlada dos wolbitos ocorre em uma biofábrica sediada em Curitiba (PR) e dirigida por Moreira, fruto de parceria entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP) e o World Mosquito Program (WMP), presente em 14 países. O Método Wolbachia foi incorporado à estratégia nacional de enfrentamento das arboviroses do Ministério da Saúde e está em implantação em municípios como Balneário Camboriú, Brasília, Blumenau, Joinville, Luziânia e Valparaíso de Goiás, selecionados com base em indicadores epidemiológicos.

A revista Nature, fundada em 1869 e considerada a publicação científica mais citada no mundo, divulga anualmente a lista “Nature’s 10” sem caráter de prêmio ou ranking acadêmico, destacando personalidades e iniciativas de impacto científico. Em 2023, a lista já havia incluído uma brasileira, a então ministra Marina Silva e, agora, a presença de Luciano Moreira volta a projetar a ciência nacional em uma vitrine internacional.