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Mudanças nas trocas de presentes no fim de ano de 2025: entre a escassez e o significado

10/12/2025 18:15 Por Redação NTD

Menos consumo, mais presença: como rituais de afeto reinventam as celebrações e favorecem trocas educativas

As confraternizações de final de ano em 2025 trazem uma cena distinta daquela dos anos anteriores: há menos compras por impulso e um movimento crescente em direção à troca de presentes com significado. Em jornais e redes sociais, relatos de famílias e empresas que reduziram orçamentos ou optaram por encontros menores sucedem-se, evidenciando uma reavaliação coletiva sobre o valor do objeto frente ao valor do gesto. As causas são múltiplas, pressões econômicas, preocupações ambientais e uma busca por hábitos mais sustentáveis, mas o resultado prático tem sido a priorização da presença e do simbolismo sobre a ostentação.

Nas empresas e entre amigos, muitas festas grandiosas foram substituídas por versões reduzidas do tradicional “amigo oculto”. Em vez de confraternizações com despesas elevadas e trocas numerosas, grupos escolheram encontros íntimos com limites claros de valor ou temas específicos, por exemplo, “presentes artesanais”, “presentes usados de boa qualidade” ou “experiências compartilhadas”. Aplicativos que sorteiam nomes e coordenam entregas facilitaram eventos híbridos, permitindo que o calor da troca simbólica permaneça mesmo quando a logística ou o orçamento exigem contenção.

Do ponto de vista psicanalítico, a mudança revela algo mais profundo sobre laços e desejos. O presente sempre desempenhou uma função simbólica: é veículo de reconhecimento, reparação, culpa ou afirmação social. Reduzir a escala das trocas pode aliviar pressões inconscientes, a necessidade de corresponder a ideais de sucesso ou de compensar ausências afetivas com bens materiais. Ao deslocar o foco para atitudes e experiências, as famílias retomam o sentido original do rito: comunicar afeto, acolhimento e compromisso relacional, sem que o objeto se torne substituto único do vínculo.

Presentes que educam e aproximam

Práticas simples e educativas substituem bem presentes caros. Em vez de optar por um item de alto valor, oferece-se uma aula particular (culinária, dança, fotografia), uma assinatura de plataforma educativa, ou um voucher de tempo: horas de companhia para cuidar de plantas, ensinar uma língua ou auxiliar em um projeto doméstico. Trocas de livros acompanhados de bilhetes explicativos, álbuns de família digitalizados com legendas, ou a oferta de mentoria, por exemplo, um profissional que se dispõe a orientar um jovem por algumas sessões, transformam a dádiva em investimento humano e formativo.

Há também soluções coletivas que preservam o ritual e aliviam custos: estabelecer um teto de preço no “amigo oculto”, adotar temas sustentáveis (trocar apenas objetos reutilizados com boa apresentação), ou convergir para experiências em grupo, como uma tarde de voluntariado seguida de um lanche compartilhado. Essas opções estimulam criatividade e significado: um presente feito à mão ou uma atividade planejada exige tempo e intenção, ingredientes que reforçam laços e deixam memórias duradouras.

A mudança observada em 2025 abre caminho para uma celebração mais harmônica e consciente. Ao priorizar atitudes reais, ensino, tempo, cuidado e partilha, cultivam-se laços menos dependentes de bens e mais ancorados em solidariedade e sentido. Para o próximo ano, a proposta é adotar ritos que celebrem a presença e a continuidade do afeto, lembrando que o melhor presente pode ser, justamente, aquilo que forma e une.

Graça Duarte é jornalista, escritora, psicanalista e parapsicóloga. Atua nas áreas de assessoria de comunicação, gestão de tráfego, projetos, eventos, cursos e palestras; e escreve sobre bem-estar e saúde mental no Notícia Todo Dia.