Como o fim do ano intensifica a ansiedade financeira — e afeta a saúde mental dos brasileiros
O fim do ano chega como uma onda dupla: brilho de luzes e laços de presente na superfície, mas correntes de preocupação logo abaixo. Enquanto famílias se reúnem, empresas celebram e o 13º salário aparece como uma promessa de alívio, o calendário financeiro se transforma em um labirinto de gastos extras, viagens, presentes e boletos que vencem quase ao mesmo tempo. Para muitos brasileiros, essa soma não cabe apenas no orçamento — ocupa também o pensamento, o humor e até o sono.
Segundo pesquisa realizada pela Serasa em parceria com a Opinion Box, em 2025, 84% dos brasileiros afirmam já ter sentido abalos na saúde mental por causa de problemas financeiros. Entre os efeitos mais comuns estão queda no humor, ansiedade, insônia e a sensação persistente de culpa diante das dívidas. A pressão se estende ao trabalho: 30% relatam falta de motivação devido às finanças e metade admite pensar nas contas mesmo durante o expediente. Em paralelo, dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC) revelam que 78,2% das famílias tinham dívidas a vencer em meados de 2025, e a inadimplência chegou a 29,5%.
Quando o dinheiro vira gatilho
Esse ambiente econômico se combina ao típico aumento de gastos de dezembro — um período em que o impulso de celebrar encontra orçamentos fragilizados. Para muitas famílias, o impacto é duplo: financeiro e emocional. A pressão para comprar presentes, viajar, participar de confraternizações ou organizar ceias cria um terreno fértil para ansiedade, preocupação constante e sensação de insuficiência.
Há razões práticas e psicológicas para que o fim do ano pese tanto. O acúmulo de eventos pagos, a expectativa social de “celebrar à altura”, a dependência do 13º salário como solução imediata, a fadiga emocional que leva ao consumo impulsivo e a facilidade do crédito compõem um cenário de sobrecarga. Esses fatores fazem do dinheiro um gatilho potente para estresse, perda de sono, culpa e até isolamento social — reforçando a necessidade de que a saúde financeira seja tratada também como parte essencial da saúde mental.