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Professor de capoeira na Bahia causa revolta ao afirmar que não aceita alunos brancos e ameaça agressões

09/12/2025 08:40 Por Redação NTD

Vídeos mostram declarações racistas e relatos de intolerância religiosa; caso é investigado como possível crime de racismo

Entrar nas redes sociais e dar de cara com um vídeo em que um professor de capoeira afirma, sem hesitação, que vai “bater em aluno branco” caso apareça em sua aula, foi o suficiente para transformar indignação em debate público. Nas imagens, que circulam desde o início de dezembro de 2025, o homem, cuja identidade não foi confirmada, se apresenta como “o único professor da Bahia” a adotar tal postura e afirma que seu trabalho é exclusivo para pessoas pretas. A gravação, amplamente compartilhada, escancarou tensões, chocou comunidades, e abriu caminho para investigação criminal. 

As declarações, consideradas abertamente racistas e discriminatórias, incluem ameaças diretas de violência. O capoeirista reforça que “não dá aula para branco” e que reagirá fisicamente caso qualquer pessoa branca tente participar de seu treinamento. “Não dou aula pra branco, não quero dar aula pra branco, se ele vim vou bater nele” afirma o capoeirista e suposto professor, que completa: “não é pra ele (branco) tá onde eu tô, ele não deve. Simples assim”, decreta. Além disso, relata ter retirado os próprios filhos da escola municipal para colocá-los na rede particular, criticando o fato de que, segundo ele, “todas as escolas eram de donos evangélicos ou católicos”. Em tom de intolerância religiosa, afirma temer que as crianças “casem com branco” ou “adorem o Deus deles”, chegando a dizer à filha mais velha: “Com branco aqui você não entra. Se entrar, não entra mais aqui em casa”. 

Criminalização do discurso

O conteúdo dos vídeos é tratado por autoridades como crime de racismo, uma infração grave no Brasil. O crime de racismo (que atinge uma coletividade indeterminada) é inafiançável, imprescritível, e pode levar à reclusão de dois acinco anos, além de multa. Desde a Lei 14.532/2023, a injúria racial também passou a ser enquadrada da mesma forma, com penas idênticas e maior rigor em casos cometidos pela internet, por grupos ou em locais públicos.

A repercussão reacendeu a discussão sobre as diferenças entre racismo e injúria racial, além da importância de identificar discursos que promovam discriminação, segregação, e violência. Enquanto o racismo busca atingir um grupo inteiro, a injúria racial ofende a honra de um indivíduo específico. Nos dois casos, no entanto, a lei é clara: trata-se de crime grave, sem possibilidade de fiança e sem prazo para prescrição. As autoridades agora avaliam o caso, que segue sob análise como mais um episódio alarmante de intolerância e violação de direitos no país.