Saúde e Fazenda anunciam medidas para enfrentar o avanço da dependência financeira e emocional ligada às apostas eletrônicas
O Brasil virou um grande tabuleiro digital onde, a cada clique, milhares arriscam não apenas dinheiro, mas também saúde e estabilidade emocional. Com o crescimento das bets e dos jogos eletrônicos, aumentam os casos de compulsão e endividamento. Para enfrentar esse cenário, os ministérios da Saúde e da Fazenda investem em novas iniciativas de prevenção e cuidado.
Entre as medidas, está a plataforma de autoexclusão, que entra no ar em 10 de dezembro e permitirá ao usuário bloquear seu acesso a sites de apostas e impedir o uso de seu CPF para novos cadastros ou publicidade do setor. O acordo entre as pastas também cria o Observatório Brasil Saúde e Apostas Eletrônicas, que vai monitorar padrões de compulsão e direcionar usuários aos serviços do SUS.
Monitoramento permanente
Além disso, serão oferecidas orientações no Meu SUS Digital, informações sobre pontos de atendimento e uma Linha de Cuidado para Pessoas com Problemas Relacionados a Jogos. A partir de fevereiro de 2026, o SUS passará a disponibilizar 450 teleatendimentos mensais em saúde mental, em parceria com o Hospital Sírio-Libanês.
Durante o evento, o ministro Fernando Haddad destacou a falta de regulamentação do setor entre 2019 e 2022 e reforçou novas regras que impedem o cadastro de CPFs de crianças e beneficiários do Bolsa Família e BPC. Dados do Ministério da Saúde mostram alta nos atendimentos por transtornos relacionados ao jogo: de 2.262 em 2023 para 3.490 em 2024, além de 1.951 registros até junho de 2025. O perfil mais comum é de jovens negros, entre 18 e 35 anos, em situação de vulnerabilidade.