Famílias processam loja e centro comercial após jovens negras serem perseguidas e obrigadas a mostrar as roupas
O que deveria ter sido apenas um passeio entre amigas terminou em constrangimento, medo e denúncia de racismo em Taguatinga, no Distrito Federal. Três adolescentes negras — de 12, 13 e 15 anos — afirmam ter sido perseguidas, acusadas de furto e submetidas a uma revista ilegal após fazerem compras em uma loja de maquiagens do JK Shopping. Não era a primeira vez que entravam em uma loja para comprar pequenos itens, mas, desta vez, saíram com a sensação de que a cor da pele falou mais alto do que qualquer suspeita infundada.
Segundo o boletim de ocorrência, as meninas haviam adquirido produtos na loja Império das Maquiagens e seguiram para a praça de alimentação. Foi quando perceberam que uma funcionária as acompanhava de longe, observando cada passo. Já na saída de um banheiro, elas foram abordadas por uma mulher que se apresentou como gerente da loja, acompanhada de dois seguranças do shopping. As adolescentes relataram que foram cercadas e obrigadas a apresentar o comprovante de compra, sob a acusação velada de terem furtado algo.
Abordagem em corredor de emergência
As jovens disseram, em depoimento, que a gerente pediu que todos fossem até um “canto mais reservado”, um corredor de saída de emergência do shopping. No local, conforme registrado no boletim, a funcionária teria determinado que as adolescentes abrissem as bolsas e levantassem as blusas para verificar se escondiam produtos. Nada foi encontrado. Para as famílias, a humilhação e o constrangimento deixaram claro o teor discriminatório da abordagem.
As responsáveis acionaram a Justiça do Distrito Federal contra a loja e o shopping, alegando discriminação racial e revista íntima ilegal. A defesa menciona a Lei nº 13.271/2016, que proíbe esse tipo de prática em estabelecimentos comerciais. Em nota, o delegado Thiago Boeing, da 17ª Delegacia de Polícia, informou que a gerente da loja já foi ouvida e que as investigações seguem em andamento. A loja e o shopping confirmam que ocorreu uma abordagem, mas negam excessos ou atitudes discriminatórias.