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No coração das favelas paulistas, o IBGE encontra um Brasil que insiste em ser invisível

06/12/2025 01:32 Por Redação NTD

Retrato inédito revela quem são os 3,6 milhões de moradores e quais obstáculos moldam a vida nas comunidades do estado

O novo levantamento do IBGE, divulgado nesta sexta-feira, 5, funciona como uma lente de aumento capaz de revelar detalhes que o dia a dia costuma esconder. Ao mergulhar nas favelas de São Paulo, o instituto encontrou 3,6 milhões de pessoas vivendo em 1 milhão de domicílios — 8% da população estadual — formando um mosaico humano vibrante, jovem e resistente. Mas, junto da força dessas comunidades, surge também o mapa das carências: um território onde faltam árvores, calçadas, luz e transporte, mas sobram desafios que se repetem geração após geração.

Os números ajudam a decifrar esse universo. Mais da metade dos moradores (52%) se declara parda, enquanto 34,4% se identifica como branca e 13,2% como preta. Crianças e jovens de até 19 anos representam 32% de toda essa população — pouco mais de 1 milhão de pessoas tentando crescer em meio às limitações impostas pelo território. Já a faixa entre 20 e 59 anos, maioria absoluta, reúne 59% dos moradores, enquanto os idosos são 319 mil, ou 8,9%. O cenário ambiental, porém, é revelador: 66,4% vivem em regiões completamente sem árvores, contraste gritante com os 25,2% de quem mora fora das comunidades.

Um território que pede socorro

A infraestrutura é o ponto em que o retrato se torna mais duro. Falta iluminação pública em 15,2% das casas — um escurecimento que vai além da lâmpada apagada e toca a segurança, a mobilidade e o cotidiano. Quase metade dos moradores (44,8%) não tem calçada diante de casa, enquanto fora das favelas esse índice despenca para apenas 4,8%. É como se o simples ato de circular pelo próprio bairro exigisse um esforço maior de quem já vive sob tantas ausências.

O estudo ainda mostra que o transporte público, para muitos, não é uma opção — é uma distância. Só 6,2% dos moradores das favelas vivem perto de um ponto de ônibus ou de van. Para o restante, chegar ao trabalho, ao posto de saúde ou à escola começa com uma longa caminhada. O retrato do IBGE não apenas descreve essas comunidades: ele grita, silenciosamente, por políticas que enxerguem os milhões de paulistas que há décadas caminham — quase sempre sem calçada — em direção a direitos básicos.