Consulado da Coreia do Sul e Associação Brasileira dos Coreanos apontam risco de exploração sexual em plataforma que promete passeios românticos inspirados em séries asiáticas
O roteiro parece saído de uma novela: luz suave, cafés estilosos, frases sussurradas pelo “oppa” e até sessões de fotos com clima cinematográfico. Mas, fora das telas, a promessa mágica do site Kdramadate, que há pelo menos dois meses vende encontros com coreanos em São Paulo, desperta mais tensão do que romance. A plataforma se apresenta convidando clientes a “reviver a magia dos K-dramas” (novelas coreanas), mas o brilho fantasioso tem gerado preocupação entre autoridades e a comunidade coreana no Brasil.
Os alertas surgiram depois que o Consulado Geral da República da Coreia do Sul em São Paulo e a Associação Brasileira dos Coreanos receberam denúncias sobre o serviço. Ambos questionam o uso de dramas coreanos como principal atrativo e o fato de o responsável, o japonês Rikito Morikawa, buscar jovens coreanos para participar do “projeto”. O site oferece quatro pacotes, de jantares e passeios em cafeterias a experiências íntimas em uma casa ou motel, e promete desde fotos no estilo K-drama até frases românticas sussurradas ao pé do ouvido. Apesar de afirmar que os encontros ocorrem em locais públicos como Liberdade, Bom Retiro e Parque Ibirapuera, exceto a experiência íntima, que podem incluir beijo, sexo oral e sexo vaginal. Não há divulgação de valores, porém, uma denúncia enviada ao consulado mostra conversas em que o responsável cobra R$ 70 por uma hora de encontro íntimo e R$ 170 por três horas.
Fantasia vendida como realidade
O site exibe fotos de um casal encenando passeios, e depoimentos atribuídos a supostas clientes que relatam ter vivido “uma cena de K-drama” em cafés do Bom Retiro. Além disso, as reservas podem ser feitas por WhatsApp, com pagamento via PIX, cartão, débito ou transferência. Para membros da comunidade coreana, porém, o apelo emocional construído pela plataforma mascara riscos, e levanta suspeitas sobre a real natureza dos encontros vendidos.
No fim de outubro, a preocupação virou posicionamento oficial. O consulado publicou dois comunicados em suas redes sociais: o primeiro, em 23 de outubro, pedia que possíveis vítimas de estelionato procurassem o órgão; o segundo, em 31 de outubro, informou que as denúncias analisadas não configuravam golpe financeiro, mas sim um caso envolvendo indícios de exploração sexual. A investigação segue em andamento, enquanto a comunidade coreana reforça o alerta para que consumidores não confundam fantasia televisiva com segurança na vida real.