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Dia Nacional do Samba: quando o Brasil dança a própria história

02/12/2025 18:17 Por Leo Pinheiro

Celebração oficial homenageia o ritmo que transformou memória, alegria e ancestralidade em música

O Brasil despertou como quem acompanha a primeira batida de um surdo numa manhã de festa: é Dia Nacional do Samba. E, nesse compasso, o país relembra que o ritmo não nasceu apenas para ser ouvido, mas para ser vivido. Ele percorre ruas, percorre séculos, percorre gente... Só não pode atravessar!  É ponte entre passado e presente, onde a dor vira canto, a saudade vira melodia e a alegria encontra sempre um lugar para florescer.

Ainda que não seja feriado, a data é reconhecida pela Lei nº 14.567/2023, que também consagra as escolas de samba e seus desfiles como patrimônios culturais brasileiros. A escolha do 2 de dezembro guarda uma cena bonita: a visita de Ary Barroso a Salvador, em 1940. O compositor de Aquarela do Brasil e Na Baixa do Sapateiro levou sua música ao berço de tantas tradições afro-brasileiras, e seu gesto acabou eternizado como símbolo desse encontro. Antes disso, o Projeto de Lei nº 1.713-A/2007 já buscava dar ao samba o reconhecimento que ele carrega desde sempre: o de voz legítima do povo.

Quando o tambor chama

A história do samba se desenha como um cortejo em que cada capítulo corresponde a um passo. ainda no século XIX, em 1846, José Nogueira, comerciante português conhecido como Zé Pereira, saiu com seu bumbo pelas ruas do Rio e, sem saber, convocou todos que ouviram o chamado. Aquele toque solitário se multiplicou em foliões, blocos e, mais tarde, no carnaval que o mundo aprendeu a admirar. Já em 1917, Donga registrou Pelo Telefone, considerado o primeiro samba gravado no país, enquanto composições anteriores como Samba Em Casa da Bahiana e Urubu Malandro já desenhavam o que o gênero musical viria a ser.

O samba nasceu do encontro: ritmos bantu trazidos por povos escravizados, cantos do Recôncavo Baiano, danças circulares que resistiam ao tempo. No Rio, ganhou novas camadas, misturou-se à polca, ao lundu, ao maxixe, e se reinventou em rodas, terreiros, avenidas. Cartola, Dona Ivone Lara, Noel Rosa, Zé Keti, Clara Nunes, Paulinho da Viola, Beth Carvalho e tantos outros viraram guardiões desse legado. Hoje, o Museu do Samba, a Biblioteca Nacional e as memórias das “Pequenas Áfricas” lembram que o samba é mais que gênero musical, é costura fina da identidade brasileira. E como a Marrom Alcione nos ensinou: Não deixe o samba morrer/Não deixe o samba acabar/O morro foi feito de samba/De samba para gente sambar.

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