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Opinião

O Rio que transborda no futebol sul-americano

30/11/2025 09:31 Por Redação NTD

Ao longo dos últimos cinco anos, uma transformação silenciosa, porém avassaladora, reposicionou o Rio de Janeiro no topo do cenário esportivo continental. Nenhum outro estado brasileiro, tampouco qualquer país da América do Sul, acumulou tantas glórias quanto o território fluminense desde 2019. O domínio carioca não é apenas estatístico; é simbólico, cultural, e econômico. O Rio se converteu no epicentro de um ciclo vitorioso que supera a soma dos feitos de todos os demais estados e das demais nações sul-americanas no mesmo período.

No cerne dessa hegemonia está o Flamengo, que aos 130 anos vive a fase mais virtuosa de sua história recente. Há pouco mais de uma década, o clube iniciou um processo rigoroso de reestruturação administrativa e financeira que hoje se traduz não apenas em títulos, mas em poder de mobilização. Campeão da Libertadores em 2019, 2022 e 2025 — parte de um conjunto de 16 taças erguidas no último quinquênio — o rubro-negro assistiu à expansão expressiva de sua massa torcedora: pesquisas apontam mais de 50 milhões de flamenguistas no país, cerca de 26% de todos os torcedores brasileiros. É um fenômeno de escala nacional, que ilumina a força de um projeto pensado para durar.

A pujança do futebol carioca, no entanto, não se resume ao Flamengo. O Botafogo, ao se transformar em SAF, protagonizou uma das reviravoltas mais eloquentes do esporte moderno: ressurgiu da Série B para conquistar o Campeonato Brasileiro e a Libertadores de 2024. O Fluminense segue trilha semelhante após seus sócios aprovarem a conversão do clube em SAF, movimento que o coloca no mesmo caminho de profissionalização que vem redesenhando o futebol global. Foi com essa base estrutural que o tricolor, ainda como associação, alcançou sua glória maior em 2023 ao erguer a Libertadores.

Essas conquistas, somadas, formam um ecossistema esportivo vibrante e economicamente relevante. Os clubes cariocas geram empregos, atraem turistas, movimentam bares, hotéis, transporte, plataformas digitais e cadeias inteiras de prestação de serviços. O futebol do Rio, hoje, funciona como motor econômico do município, do estado e, em diversas métricas, do país.

A culminância simbólica dessa era está no fato de que o Rio de Janeiro se tornou o único estado do mundo a enviar três clubes para a Copa do Mundo da FIFA nos Estados Unidos, em julho de 2025; façanha que raríssimas regiões do planeta podem sonhar em igualar.

No fim, mais do que uma soma de troféus, o Rio vive um momento de maturidade estrutural. Tradição, administração moderna, e massa popular convergem para formar um polo de poder duradouro. Em um continente onde ciclos de vitória são, em geral, fugazes, o Rio de Janeiro parece destinado à Glória Eterna... E continuar regendo o futebol sul-americano por muitos anos.

Leo Pinheiro é diretor de Cinema e Jornalista, com passagem por revistas como Veja, Isto É, Exame e Viver Brasil, onde atuou como correspondente internacional, em Nova Iorque.