Possagno registra pela segunda vez um raro fenômeno atmosférico; fotógrafo captura imagem impressionante que percorre o mundo
O céu de Possagno, uma pacata cidade encravada nos Alpes italianos, voltou a ser o palco de um espetáculo que parece mais ficção científica do que meteorologia: uma gigantesca argola de luz vermelha, silenciosa e súbita, que brilhou por poucos milésimos de segundo — tempo suficiente para deixar cientistas perplexos e permitir ao fotógrafo Valter Binotto repetir um feito raríssimo.
De acordo com estimativas preliminares, o círculo registrado este ano atingiu cerca de duzentos quilômetros de diâmetro, formando-se a aproximadamente cem quilômetros de altitude. O fenômeno, extremamente difícil de testemunhar, está associado à atividade elétrica da atmosfera e ocorre acima de tempestades muito intensas.
Mistério nas alturas
Chamado de ELVE — sigla para “emissão de luz e perturbações de frequência muito baixa devido a fontes de pulsos eletromagnéticos” — o fenômeno só foi descrito pela NASA nos anos 1990. Ver dois deles surgirem exatamente sobre a mesma pequena cidade italiana, em apenas três anos, aumenta ainda mais o fascínio dos especialistas, que agora tentam entender por que Possagno virou ponto de repetição de um brilho tão enigmático.
Para Valter Binotto, que também fotografou o primeiro aparecimento em 2023, o novo registro confirma que a natureza ainda guarda surpresas capazes de desafiar tanto câmeras quanto teorias. E para a comunidade científica, cada uma dessas imagens é uma rara janela para os segredos elétricos escondidos nas camadas superiores da atmosfera.