Tribunal compra 320 Toyota RAV4 a um custo estimado muito acima dos padrões do Executivo e do Legislativo
O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro decidiu investir pesado — e gerar polêmica — ao destinar R$ 131,9 milhões para a compra de 320 carros blindados Toyota RAV4, após uma sequência de ameaças e ataques a magistrados. Uma conta simples expõe o tamanho do gasto: cada veículo custará cerca de R$ 412 mil, valor significativamente superior ao de modelos blindados usados por autoridades do Executivo e do Legislativo no estado, que normalmente recorrem a sedãs ou SUVs mais baratos, muitas vezes com contratos de locação bem menos onerosos.
A decisão ganhou força após o atentado contra a juíza Tula Corrêa de Mello, em 30 de março, episódio que evidenciou a vulnerabilidade de magistrados. Apesar da gravidade do caso, especialistas em gestão pública têm questionado se a resposta do TJ-RJ precisava envolver um pacote tão caro. A comparação com outros poderes evidencia a discrepância: secretários de governo, deputados estaduais e mesmo alguns integrantes da cúpula do Executivo utilizam veículos com blindagem por valores médios inferiores, especialmente através de contratos que otimizam custos.
Gasto fora da curva
A corte argumenta que a frota será renovada a cada cinco anos, conforme determina a Resolução 435 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), e que manterá escolta armada e cursos de direção defensiva. No entanto, o montante chama atenção em um estado em crise fiscal, reacendendo o debate sobre prioridades orçamentárias. Críticos afirmam que garantir segurança é essencial — mas que fazê-lo com carros cujo preço ultrapassa em muito o padrão das demais autoridades do Rio reforça a imagem de um Judiciário distante da realidade financeira do próprio estado.
Para analistas, o problema não é a proteção dos magistrados, mas o tamanho da conta. O uso de modelos mais econômicos, contratos de locação ou padronização com veículos já utilizados por outros poderes poderiam reduzir significativamente o impacto no orçamento. Ao optar pelo pacote mais caro, o TJ-RJ se coloca no centro de uma discussão cada vez mais frequente: até onde vai a necessidade legítima de segurança e onde começa o gasto excessivo com recursos públicos?