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Show de Kanye West é (finalmente) cancelado em SP após pressão política e inquérito do MP

20/11/2025 22:15 Por Redação NTD

Prefeitura veta uso do Autódromo de Interlagos e promotoria aponta risco de discurso antissemita

O anúncio do cancelamento caiu como um raio na tarde desta quinta-feira, 20: o show de Kanye West — ou “Ye”, como se apresenta — simplesmente não vai mais acontecer em São Paulo. A apresentação, cercada de polêmicas desde o primeiro dia, sucumbiu ao embate entre política, Justiça e cultura pop, deixando fãs atônitos e uma produção que diz ter feito “todos os esforços possíveis” para manter o espetáculo de pé. 

A decisão foi confirmada pela Holding Entretenimento & Networking, responsável pelo evento, que comunicou o cancelamento nas redes sociais. O show estava marcado para 29 de novembro e aconteceria no Autódromo de Interlagos, na Zona Sul, mas precisaria ser remanejado após o prefeito Ricardo Nunes (MDB) vetar o uso do espaço público, alegando que a cidade não autoriza atividades envolvendo artistas que façam apologia ao nazismo. A produtora afirma que o contrato foi rompido “unilateralmente” e que a mudança de clima político tornou a realização inviável, apesar de cachês, taxas e despesas já terem sido pagos.

Pressão cresce

A empresa reforçou que respeita as autoridades, mas discorda da decisão, alegando que um espetáculo desse porte “proporciona acesso à cultura e fomenta a economia”. Nas redes do evento Urban Movement, a organização garantiu o reembolso integral aos compradores, com instruções a serem enviadas por e-mail e WhatsApp em até 24 horas. O cancelamento ganhou força após o Ministério Público de São Paulo instaurar um inquérito civil na semana passada. A investigação, conduzida pela Promotoria de Direitos Humanos, apontou “alta probabilidade” de que Kanye West promovesse discursos de ódio ou utilizasse símbolos ligados ao nazismo, citando músicas como Heil Hitler e episódios recentes de elogios a Adolf Hitler. A promotora Ana Beatriz Pereira de Souza Frontini frisou que a liberdade de expressão “não é absoluta” e que manifestações discriminatórias contra judeus configuram crime. 

Determinou-se ainda que a Polícia Militar mantivesse uma equipe pronta para prender o artista e os produtores em flagrante caso ocorresse apologia ao nazismo durante o show. Além disso, os responsáveis — entre eles o empresário Guilherme Cavalcante e o agente Jean Fabrício Ramos, o Fabulouz Fabz — podiam ser alvo de ação civil pública por danos morais coletivos. Com o cerco jurídico e político apertando, a apresentação que prometia ser um dos maiores eventos musicais do ano deixa agora um rastro de controvérsia e ingressos que terão de ser devolvidos.