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Ford admite atraso e lança ofensiva para recuperar espaço na era dos elétricos

20/11/2025 19:19 Por Redação NTD

Pressão da Tesla e avanço chinês expõem fragilidades históricas da montadora; criação da divisão Model E marca virada estratégica

Em um raro momento de franqueza pública, Jim Farley — comandante de uma das marcas mais tradicionais da indústria automobilística — descreveu como “chocante” a nova realidade vivida pela Ford. Durante entrevista ao podcast Office Hours: Business Edition, o executivo admitiu que a montadora norte-americana não apenas perdeu terreno para a Tesla, mas também vem sendo surpreendida pelo avanço veloz das fabricantes chinesas, como a Xiaomi. “Foi uma jornada muito humilhante em termos de qualidade e custo”, afirmou, revelando que a Ford tem um longo percurso para compensar anos de atraso acumulado. 

O cenário, segundo Farley, escancarou a urgência de adaptação. Nos últimos cinco anos, a companhia passou a revisar profundamente sua operação industrial, redefinir a tecnologia que guia sua estratégia de veículos elétricos e, sobretudo, tratar os carros como dispositivos digitais capazes de receber serviços adicionais. Essa mudança de mentalidade ficou ainda mais clara quando engenheiros da Ford desmontaram um Tesla Model 3 e modelos chineses — incluindo um carro da Xiaomi usado pelo próprio executivo — e encontraram vantagens contundentes dos rivais em custo, design e software.

Uma engenharia que pesava mais — literalmente

A análise técnica trouxe descobertas incômodas. Um dos exemplos mais simbólicos foi o Mustang Mach-E, que apresentou 1,6 km a mais de fiação do que o Tesla Model 3. Além de elevar o peso em 32 kg, esse excesso representava complexidade e custos desnecessários na montagem. Farley explicou que o erro estava na própria lógica de desenvolvimento: a Ford tratava o veículo elétrico como se estivesse projetando motores a combustão, sem aplicar a abordagem sistêmica que o novo mercado exige.

Esses choques internos levaram à criação da “Model E”, divisão dedicada exclusivamente aos elétricos, lançada em 2022. Farley classificou a decisão como fundamental, tanto para reorganizar processos quanto para revelar ao mercado um dado incômodo: a operação de elétricos acumulava perdas anuais de US$ 5 bilhões. A transparência, segundo o executivo, foi o empurrão definitivo para iniciar uma reestruturação agressiva — e tentar recolocar a Ford na rota das gigantes da nova era automotiva.