Instituição liquidada pelo Banco Central e alvo da PF teve mais de R$ 37 milhões em descontos sobre salários apenas em 2025
Num enredo que mistura suspeitas de fraudes, endividamento em massa e decisões tardias de órgãos de controle, o Banco Master voltou ao centro das atenções em Mato Grosso. Liquidado pelo Banco Central e investigado pela Polícia Federal por suposta fabricação de carteiras de crédito falsas, o banco também figura entre as instituições que concederam consignados de forma irregular a servidores estaduais — um movimento que, segundo o Sinpaig, consumiu mais de R$ 37 milhões somente em 2025.
A atuação do Master em Mato Grosso cresceu junto com sua expansão nacional na oferta de consignados a partir de 2024. Documentos oficiais mostram que o governo estadual autorizou empréstimos com o banco entre dezembro de 2024 e dezembro de 2026, além de um contrato anterior firmado em 2023 com vigência até 2028. Essas operações integram o cenário que levou mais de 70% dos servidores ao superendividamento por meio de empréstimos distribuídos por até 15 instituições financeiras diferentes.
Decisão do TCE
Apesar do impacto sobre milhares de trabalhadores, o Tribunal de Contas do Estado concluiu, em outubro, que não houve indícios de responsabilidade de gestores ou agentes públicos nas irregularidades relacionadas à contratação dos consignados. A análise foi unânime entre os conselheiros da Corte.
Como medida corretiva, o TCE determinou a implementação de programas de renegociação de dívidas e ações de educação financeira voltadas aos servidores atingidos, numa tentativa de conter o avanço do endividamento e reorganizar a situação financeira dos trabalhadores do estado.