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STF e Governo lideram ataques em mensagens virais no WhatsApp, aponta estudo

05/11/2025 09:16 Por Redação NTD

Levantamento revela que Corte e Planalto são os principais alvos de conteúdos políticos que circulam em grupos públicos

O WhatsApp, onipresente nos celulares brasileiros, virou um campo de batalha digital onde o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Governo Federal são os protagonistas. De acordo com análise inédita do Observatório Lupa, entre julho de 2024 e julho de 2025, mais de 110 mil grupos públicos foram monitorados, resultando na identificação de 244 mil mensagens únicas classificadas pela Meta como “encaminhadas com frequência”. O retrato é claro: a desinformação encontrou um terreno fértil e altamente politizado.

O STF aparece como o foco mais recorrente. As postagens mais compartilhadas questionam decisões da Corte e atribuem motivações políticas aos ministros — em especial a Alexandre de Moraes, acusado de censura e abuso de poder, e a Gilmar Mendes. Há também conteúdos sobre a ADPF das Favelas, usada como exemplo de parcialidade judicial. Já o Governo Federal ocupa o segundo lugar: Lula, o PT, e a primeira-dama Janja são alvos constantes de mensagens que reavivam escândalos de corrupção e associam o partido a facções criminosas como o PCC e o Comando Vermelho.

Politização do cotidiano

Segundo o relatório, as mensagens de maior alcance circulam majoritariamente em grupos autodeclarados de direita, que são quase sete vezes mais ativos do que os de esquerda. A politização se estende a temas cotidianos: o Bolsa Família e o Plano Nacional de Educação aparecem em postagens que tratam políticas públicas como doutrinação. O levantamento também registrou a permanência de conteúdos falsos sobre a pandemia de Covid-19, com vídeos e áudios que atacam vacinas e defendem tratamentos alternativos.

“Retirar o WhatsApp da vida dos brasileiros é impensável. O caminho é aprofundar a pesquisa e compreender suas dinâmicas”, afirma a analista de conteúdo Beatriz Farrugia, autora do estudo. Para ela, entender o comportamento informacional no aplicativo, que está presente em 99% dos smartphones do país, é essencial para combater a desinformação e preservar o debate público.