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Extraoficial: Tiros voltam a ecoar no Alemão e na Penha: número de mortos ultrapassa 120 após megaoperação no Rio

29/10/2025 12:19 Por Redação NTD

Moradores levaram dezenas de corpos à Praça São Lucas, na Penha, na madrugada desta quarta-feira. Governo confirma 64 mortos oficialmente, mas número não para de crescer

A noite caiu sobre o Rio e, com ela, o som dos tiros voltou a romper o silêncio que jamais se restabeleceu. Nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte, o eco dos disparos se mistura ao luto de uma cidade que amanheceu contabilizando corpos. A reação violenta de criminosos marcou o reinício dos confrontos nesta terça-feira, 28, poucas horas depois da mais letal operação policial da história do estado, que mobilizou 2,5 mil agentes e deixou um saldo que chega a pelo menos 124 mortos.

Segundo o governo do Rio de Janeiro, 64 pessoas morreram durante a megaoperação — sendo 60 classificadas como criminosos e quatro policiais. No entanto, moradores da Penha afirmam ter transportado, por conta própria, pelo menos 60 corpos (todos masculinos) até a Praça São Lucas, na Estrada José Rucas, ao longo da madrugada desta quarta-feira 29. O cenário confirma a suspeita de que o número real de vítimas é muito maior que o divulgado oficialmente.

Reconhecimento e caos

O secretário da PM, coronel Marcelo de Menezes Nogueira, admitiu que os corpos levados à praça não constam na contagem oficial. De acordo com relatos, as vítimas foram retiradas de uma área de mata conhecida como Vacaria, na Serra da Misericórdia, onde se concentraram os confrontos entre traficantes e as forças de segurança. A Polícia Civil informou que o reconhecimento oficial dos corpos ocorrerá no prédio do Detran, ao lado do Instituto Médico-Legal (IML), com acesso restrito à corporação e ao Ministério Público.

Durante a noite, moradores também transportaram seis corpos em uma Kombi até o Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha. O veículo chegou em alta velocidade e deixou o local logo em seguida, em uma cena que sintetiza o desespero de uma comunidade que vive entre o medo, o silêncio e o horror de uma guerra urbana sem fim.