Maior ação policial da história do estado mobilizou 2,5 mil agentes para conter avanço do Comando Vermelho; escolas e unidades de saúde fecharam, e ônibus foram usados como barricadas
O amanhecer desta terça-feira, 28, mergulhou a Zona Norte do Rio de Janeiro em cenas de guerra. Helicópteros sobrevoando o céu, blindados cruzando vielas, e o eco incessante de tiros marcaram a Operação Contenção, a maior já realizada na história do estado. A ofensiva conjunta das Polícias Civil e Militar deixou ao menos 22 mortos — entre eles, dois policiais — e transformou os Complexos do Alemão e da Penha em epicentro de uma batalha urbana sem precedentes.
A megaoperação, que reuniu cerca de 2.500 agentes, tem como principal objetivo conter o avanço territorial do Comando Vermelho, e cumprir 100 mandados de prisão. Segundo o governador Cláudio Castro, 81 pessoas já foram presas, incluindo um suspeito apontado como operador financeiro de Edgar Alves de Andrade, o “Doca” ou “Urso”, um dos chefes da facção. Entre os alvos, há criminosos oriundos de outros estados, especialmente do Pará, que estariam escondidos nas comunidades. A ação é resultado de mais de um ano de investigações conduzidas pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE).
Ônibus recuperado pela PM no entroncamento das ruas Adolfo Bergamini e Borja Reis, no Engenho de Dentro, Grande Méier
Vídeo: Julio Moutinho
Cenário de guerra
Imagens aéreas captadas por drones revelaram grupos de criminosos fortemente armados fugindo por trilhas na mata da Vila Cruzeiro. Em resposta, bandidos do Comando Vermelho usaram drones para lançar explosivos contra as forças de segurança. O aparato policial incluiu drones, dois helicópteros, 32 blindados, e 12 veículos de demolição. O saldo parcial registra sete policiais baleados (três civis, dois militares e dois ainda não identificados) e três moradores atingidos por balas perdidas, entre eles uma mulher que já recebeu alta após ser socorrida no Hospital Getúlio Vargas.
A violência paralisou a rotina das comunidades. Quarenta e seis escolas e cinco unidades de saúde suspenderam as atividades, e o transporte público foi gravemente afetado. Ônibus, caminhões e carretas foram usados como barricadas por criminosos, bloqueando importantes vias, como a Avenida Brasil, a Linha Amarela e o Grajaú-Jacarepaguá. O terror se espalhou por toda a Zona Norte, alcançando regiões como o Grande Méier e a Cidade de Deus, em um dia em que o Rio voltou a viver sob o som ensurdecedor dos tiros.