Enquanto o país celebra com festas e presentes, dados preocupantes revelam uma infância marcada por sofrimento psicológico, evasão escolar e exposição à violência
Neste 12 de outubro, o som das risadas e o colorido dos balões contrastam com números alarmantes sobre a infância no Brasil. Estudos nacionais e internacionais apontam o aumento de casos de ansiedade e depressão entre crianças e adolescentes, além de déficits de aprendizagem agravados pela pandemia e altos índices de violência doméstica, sexual e comunitária. Não se trata de pessimismo, mas de um alerta: a proteção integral, o direito à saúde mental e o acesso à educação de qualidade seguem sendo privilégios de poucos.
A rede pública ainda está longe de dar conta da demanda. Faltam psicólogos e psiquiatras infantis nos CAPS e nas unidades básicas de saúde, e as escolas carecem de profissionais preparados para reconhecer sinais de sofrimento emocional e encaminhar os casos. Ao mesmo tempo, a persistência dos castigos físicos e a subnotificação de abusos transformam o lar — espaço que deveria garantir segurança — em um ambiente de risco para muitas crianças. Na educação, as perdas acumuladas após a pandemia se refletem em evasão escolar crescente, jovens com lacunas graves em leitura e matemática e uma geração vulnerável às desigualdades que se perpetuam.
Caminhos para proteger a infância
As respostas precisam ser rápidas e coordenadas. É fundamental integrar as redes de saúde, educação e assistência social com protocolos locais de atuação, ampliar o número de CAPS e formar equipes multidisciplinares ligadas às escolas. Programas de capacitação para professores, conselheiros tutelares e profissionais da saúde, além da inclusão de currículos socioemocionais e ações anti-bullying, são passos essenciais. Iniciativas como visitas domiciliares, campanhas contra castigos físicos e políticas de parentalidade positiva também ajudam a prevenir violências e fortalecer vínculos familiares.
Famílias e comunidades devem ser parte ativa desse esforço. Conversar com as crianças sobre sentimentos, observar mudanças de comportamento, controlar o acesso a conteúdos violentos e acionar redes de proteção são atitudes que salvam vidas. Ouvir as vozes infantis e adolescentes é igualmente urgente; elas precisam participar da construção das políticas que moldam seu presente e seu futuro. Neste Dia das Crianças, mais do que distribuir brinquedos, o país precisa renovar seu compromisso com a infância, com planos intersetoriais, metas e orçamento definidos. Não há tempo a perder: garantir o direito de crescer com saúde e dignidade é o verdadeiro presente que o Brasil deve oferecer.