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Do luxo ao abandono: governo tenta demolir o histórico Torre Palace, primeiro hotel de luxo de Brasília

05/10/2025 14:20 Por Redação NTD

Símbolo da elite nos anos 1970, o hotel virou palco de brigas familiares, disputas judiciais e ocupações irregulares; agora, o GDF busca autorização da Justiça para pôr fim ao que restou do prédio

Por trás das janelas quebradas e das paredes pichadas do Torre Palace ainda ecoa o som dos tempos dourados. Inaugurado em 1973, o primeiro hotel de luxo de Brasília foi por décadas sinônimo de sofisticação e poder, recebendo personalidades nacionais e internacionais em seus 14 andares de glamour. Quarenta anos depois, o endereço à beira do Eixo Monumental virou ruína e problema judicial, e o governo do Distrito Federal tenta, mais uma vez, na Justiça, autorização para demolir o prédio que um dia foi símbolo de ostentação.

Durante sua trajetória, o Torre Palace refletiu o apogeu e a decadência de uma era. Fundado pelo empresário libanês Jibran El-Hadj, o hotel oferecia 140 apartamentos com vista privilegiada para a Esplanada dos Ministérios e o Congresso Nacional. Após a morte do fundador, em 2000, disputas entre a viúva e os seis filhos fragmentaram o império, avaliado à época em R$ 200 milhões. A briga familiar travou a administração do hotel e, em 2013, as portas se fecharam definitivamente, deixando o edifício entregue ao tempo.

Do luxo à ruína

O que restou do antigo quatro estrelas rapidamente se transformou em abrigo improvisado e ponto de uso de drogas. Em 2016, uma operação da Polícia Militar com 200 agentes, helicópteros e bombas de efeito moral desocupou o prédio após violentos confrontos. A ação custou R$ 802,9 mil aos cofres públicos — valor que o governo tentou cobrar dos proprietários, sem sucesso. A Justiça, que já havia negado o pedido de demolição em 2019, determinou apenas que os herdeiros cuidassem da manutenção do imóvel.

Agora, mais de uma década após o fechamento, o Torre Palace permanece num limbo jurídico: nem reformado, nem vendido, nem derrubado. O GDF afirma que a ordem de manutenção não foi cumprida e tenta retomar o processo de demolição para evitar novos riscos à segurança pública. Assim, o prédio que um dia foi vitrine da modernidade brasiliense segue como ruína de um passado de luxo — e lembrete das histórias que Brasília preferia esquecer.