Operações integradas entre as polícias civis do Rio de Janeiro e de Mato Grosso resultam em capturas estratégicas de criminosos de alta periculosidade
As areias e paisagens turísticas do Rio de Janeiro têm atraído não apenas visitantes e banhistas, mas também foragidos da Justiça do Mato Grosso ligados ao Comando Vermelho (CV). O que parecia ser refúgio acabou se tornando armadilha: em operações recentes, a união da inteligência das polícias civis do Rio e do Mato Grosso resultou na prisão de quatro líderes da facção em território fluminense.
No último domingo, 28, policiais civis da 1ª DP (Praça Mauá), coordenados pelo Departamento Geral de Polícia da Capital (DGPC), prenderam Ederson Xavier de Lima, conhecido como Boré, apontado como líder do CV no Mato Grosso. Ele foi surpreendido na Praia de Piratininga, em Niterói, enquanto bebia whisky na areia. Boré já tinha pelo menos oito passagens por crimes como tráfico de drogas, extorsão, receptação e organização criminosa. Condenado em 2013 a sete anos e seis meses de prisão em regime fechado por tráfico — após ser flagrado com mais de 4,6 kg de drogas —, ele ainda acumulava nova condenação em 2019, quando a polícia desmantelou um “escritório do crime” em Cuiabá.
Histórico de capturas
A prisão de Boré reforça um movimento iniciado em agosto, quando três outros líderes do CV mato-grossense foram capturados no Rio de Janeiro. No dia 24 de agosto, os criminosos foram localizados em um apart-hotel em Copacabana, após troca de informações entre a Polícia Civil de Mato Grosso e a Polícia Militar do Rio. Entre eles estava um homem de 38 anos, foragido da Penitenciária Major PM Eldo Sá Corrêa, em Rondonópolis, que respondia por posse de arma de fogo e roubo. Outro, de 32 anos, havia escapado da Gerência de Custódia, em Cuiabá, e acumulava extensa ficha por crimes que incluem roubo, tráfico, homicídio e lesão corporal. O terceiro, de 29 anos, cumpria pena de mais de 37 anos e fugiu da Cadeia Pública de Nova Mutum após dopar uma policial penal.
Segundo as polícias, a integração entre as forças de segurança do Rio e do Mato Grosso tem sido decisiva para evitar que o estado fluminense seja utilizado como esconderijo por foragidos de alta periculosidade. As operações conjuntas comprovam que, mesmo longe de suas bases de atuação, os líderes do CV mato-grossense continuam sob monitoramento. Para as autoridades, a cooperação entre as inteligências policiais é peça-chave no enfrentamento ao crime organizado interestadual.