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Porsche desacelera aposta elétrica e provoca prejuízo bilionário à Volkswagen

27/09/2025 05:19 Por Redação NTD

Subsidiária de luxo decide prolongar a vida de motores a combustão e híbridos, enquanto matriz alemã vê lucros e ações despencarem

A corrida rumo à eletrificação do setor automotivo acaba de perder velocidade. A Porsche, marca de luxo controlada pela Volkswagen, anunciou que vai interromper o lançamento de modelos 100% elétricos e, em contrapartida, estender a vida útil de veículos com motor a combustão e híbridos. A decisão, que contraria a estratégia global da matriz, reflete o choque de visões dentro do grupo e escancara um dilema cada vez mais visível no mercado: abandonar a gasolina ou resistir ao avanço dos elétricos.

O impacto foi imediato. A Volkswagen revisou para baixo sua projeção de retorno operacional para 2025, agora entre 2% e 3%, menos da metade do previsto meses atrás, e calcula perdas de quase US$ 6 bilhões (R$ 32 bilhões) até o fim do ano. A Porsche, por sua vez, pode perder até € 1,8 bilhão (R$ 11,3 bilhões) em lucros, enquanto suas ações caíram mais de 3% na Bolsa de Frankfurt, arrastando também os papéis da Volkswagen, que recuaram 3,4%.

Mercado em transição

A virada de rumo ocorre após sinais de saturação no mercado de veículos elétricos: queda na demanda na China e tarifas mais pesadas nos Estados Unidos. Para conter danos, a Porsche cancelou a expectativa de lançar seu próximo SUV como modelo elétrico e anunciou que ele chegará em versões híbridas e a combustão. Além disso, revelou o novo 911 Turbo S híbrido, com mais de 700 cavalos de potência — um movimento para conquistar entusiastas da gasolina sem romper de vez com a eletrificação.

Enquanto isso, a Volkswagen tenta sustentar sua narrativa pró-eletrificação. No IAA Mobility 2025, em Munique, apresentou a linha ID., com o lema “Verdadeiro Volkswagen”, que inclui desde o compacto ID. Polo até o conceito ID. CROSS. A estratégia é clara: oferecer uma transição gradual, combinando elétricos, híbridos e modelos tradicionais como Tiguan, Tayron e Passat. No entanto, o impasse com a Porsche expõe a fragilidade da estratégia do grupo em meio a uma disputa feroz com Tesla e BYD, que avançam em mercados onde a Volkswagen começa a tropeçar.