Montadora deixará a icônica “Glass House” para inaugurar um campus ultramoderno inspirado no Vale do Silício
Um pedaço da história da Ford está prestes a ser demolido. A célebre “Glass House”, sede da montadora desde 1956, com sua fachada totalmente envidraçada e símbolo da arquitetura internacional, dará lugar a uma nova era. A companhia aposta em um gigantesco campus de 2,1 milhões de m², o Henry Ford II World Center, que promete unir tradição e inovação em um espaço pensado para colaboração, tecnologia e sustentabilidade.
Previsto para novembro, o novo QG reunirá executivos e equipes de desenvolvimento em um só ambiente integrado. O espaço contará com seis estúdios de design, showroom de veículos, mais de 300 salas de reunião de última geração, sete restaurantes assinados por um chef executivo, áreas ao ar livre e ambientes voltados ao bem-estar. Mais de 14 mil pessoas trabalharão no campus, em um modelo de “cidade em miniatura”, onde tudo ficará a 15 minutos de caminhada.
Do passado ao futuro
A transição também marca uma mudança cultural profunda: não haverá mesas fixas, salas privativas ou escritórios individuais. “A ideia de manter executivos isolados da operação já não faz sentido”, afirmou Bill Ford, presidente do conselho. O novo espaço será de energia líquida zero, com 100% de eletricidade renovável e compromisso de que 95% dos descartáveis sejam recicláveis, compostáveis ou reutilizáveis. Inspirado no QG da Apple, o projeto quer transformar o ambiente de trabalho em motor de inovação.
Enquanto isso, a Glass House será esvaziada até 2026, e demolida de forma sustentável até 2028. O terreno, porém, não ficará abandonado: a Ford e a cidade de Dearborn planejam transformá-lo em parque ou espaço esportivo público; um gesto que preserva a memória e devolve à comunidade parte da história que ajudou a moldar o futuro da indústria automobilística.