Rapper seguirá preso após decisão da 4ª Câmara Criminal do TJ-RJ; ele é acusado de duplo homicídio de agentes da Polícia Civil
Nesta quinta-feira, 11, os desembargadores da 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro negaram o pedido de habeas corpus apresentado pela defesa de Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, o rapper Oruam, mantendo a prisão preventiva do artista. Ele é filho de Marcinho VP, um dos principais líderes históricos do Comando Vermelho, e é acusado de envolvimento na morte do delegado Moisés Santana Gomes e do policial civil Alexandre Alves Ferraz.
Durante o julgamento, os advogados pediram a substituição da prisão por medidas cautelares, mas o pleito foi recusado. A relatora do caso, desembargadora Márcia Perrini Bodart, reforçou que a detenção se mantém necessária “para assegurar a ordem pública e a tranquilidade social”. Oruam foi preso em 22 de julho, após um confronto em sua residência, no Joá, Zona Oeste do Rio, quando policiais civis cumpriam um mandado contra um adolescente que se encontrava no local.
Herança e destino
Oruam carrega um sobrenome marcado pela criminalidade. Filho de Marcinho VP — condenado a 36 anos de prisão por homicídio e esquartejamento de rivais em 1996 — e irmão da cantora gospel Débora Gama, o rapper construiu sua trajetória artística enquanto era agenciado por outro irmão, Lucas, e criado pela mãe, Márcia. O peso do legado familiar, porém, reaparece agora em meio a um processo que pode encerrar prematuramente sua carreira musical.
A biografia de seu pai, registrada no livro “O Direito Penal do Inimigo: Verdades e Posições”, de Renato Homem, traça o caminho que começou ainda na adolescência em Vigário Geral e culminou com o comando do tráfico no Complexo do Alemão. Mais de duas décadas após a prisão de Marcinho VP, a sombra de seu passado recai sobre Oruam, que enfrenta a Justiça diante de acusações graves e de um processo criminal que deverá definir seu futuro.