Cantora que marcou a MPB com irreverência, amores intensos e autenticidade morreu no Rio após três meses de internação
A cantora e compositora Angela Ro Ro morreu nesta segunda-feira, 8, aos 75 anos. Ela estava internada desde junho no Hospital Silvestre, no Cosme Velho, Zona Sul do Rio, em decorrência de uma infecção pulmonar grave. Após uma série de complicações, e uma traqueostomia, não resistiu a uma nova infecção. Segundo a certidão de óbito, a causa da morte foi infecção generalizada, e pneumonia bacteriana.
Nascida Angela Maria Diniz Gonsalves, a cantora carioca começou a carreira tocando em bares, e rapidamente se destacou por sua voz marcante e personalidade intensa. Tornou-se um dos nomes mais importantes da música brasileira, com uma trajetória artística marcada por autenticidade e polêmicas. Sobre sua relação com os excessos, costumava dizer: “Eu fiz a experiência de me autodestruir e não fui competente. Errei. E daí? Errei comigo”.
Gay assumida desde o início da carreira, Angela Ro Ro foi pioneira em abordar sua sexualidade de forma aberta em um período ainda conservador. Viveu intensamente seus amores e paixões, mas também enfrentou períodos de solidão e fragilidade. Seu talento, aliado à ousadia, a tornou referência tanto pela música quanto pela postura sem concessões.
Nos últimos anos, enfrentou dificuldades financeiras e de saúde, o que a afastou dos palcos. Em momentos delicados, chegou a recorrer às redes sociais para pedir ajuda. Sua última apresentação aconteceu em maio deste ano, no Teatro Rival, no Rio de Janeiro, onde foi recebida com carinho pelo público que a acompanhou ao longo de décadas. Angela Ro Ro deixa uma obra singular, e um legado de coragem, irreverência e autenticidade na música popular brasileira.