Dizer 'não sei' pode ser seu maior acerto
Se tem algo que aprendi liderando times ao redor do mundo, é que não saber tudo não é fraqueza; é força. Por muito tempo, a figura do líder esteve associada ao “sabe-tudo”. Àquele que tem todas as respostas, que resolve tudo sozinho, que nunca demonstra dúvida. Mas esse modelo está falido. E, pior: é tóxico.
A realidade é que o mundo atual é complexo demais para um único líder carregar nos ombros todas as soluções. E tentar fazer isso só leva a decisões mal informadas, egos inflados, e equipes desmotivadas.
O verdadeiro líder sabe que não saber é normal. E mais: sabe que admitir isso abre espaço para que o time contribua. Isso empodera, engaja e convida à cocriação.
Uma vez, em uma reunião crítica com o board internacional, me perguntaram algo fora do script. Em vez de inventar ou dar uma resposta pela metade, disse com tranquilidade: “Não sei. Mas posso descobrir e volto com isso amanhã.” O efeito foi imediato. Constrangimento zero. Respeito total.
Mostrar que você não tem todas as respostas, mas tem humildade e iniciativa para buscá-las, é um sinal claro de maturidade.
Mais do que nunca, precisamos de líderes que também sejam aprendizes. Que troquem certezas absolutas por perguntas honestas. Que saibam conduzir com vulnerabilidade — essa sim, uma força extraordinária.
Felício Ferraz trabalhou como executivo de empresas multinacionais como Shell e Souza Cruz; é conselheiro, professor, empreendedor em série; e ex-CEO da BAT - British American Tobacco no Caribe, America Central, Sri Lanka, e Caucasus.
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