Ator e diretor de dublagem deixou legado em filmes, séries, animações, jogos e centenas de alunos
O mundo da dublagem brasileira perdeu nesta segunda-feira, 25, uma de suas vozes mais atuantes. Flávio Back, ator, dublador, locutor, diretor e professor de dublagem, faleceu aos 52 anos no Rio de Janeiro. Internado na Casa de Portugal, e transferido para o CTI na última quinta-feira, ele não resistiu a complicações de uma celulite bacteriana. Diabético, o artista lutava contra a doença, mas acabou não resistindo.
Nascido em 20 de setembro de 1972, no Rio, Flávio construiu uma carreira sólida, acumulando centenas de trabalhos na dublagem. Embora não tenha sido a voz de muitos galãs e protagonistas de filmes e séries, foi um dos dubladores mais producentes de sua geração. Entre seus papéis mais marcantes no cinema, deu voz a Hogun, vivido por Tadanobu Asano, na trilogia Thor, além de personagens interpretados por Kevin Hart em Policial em Apuros; e Michael Raymond-James em Jack Reacher: O Último Tiro. Ele também esteve presente em séries de sucesso como Brooklyn Nine-Nine, na voz do hilário Detetive Boyle, e Game of Thrones, onde dublou Loras Tyrell.
Nas animações, Back se destacou por personagens icônicos e queridos pelo público. Foi a voz de XLR8 em diferentes produções da franquia Ben 10, deu vida ao carismático Musculoso em Apenas um Show; e marcou uma geração ao dublar o clássico Leôncio nas mais recentes produções de Pica-Pau. Também participou de Sonic Prime, Festa no Céu, e Deu a Louca na Chapeuzinho 2, consolidando sua versatilidade em papéis cômicos e emocionantes. Além do Cinema, séries e animações, emprestou sua voz para doramas coreanos, realities, e games como League of Legends, onde eternizou o campeão Gragas.
Fora dos estúdios, Flávio era conhecido como um pai exemplar. Criou sozinho suas duas filhas, Luke Back e Sofia Back, de quem sempre cuidou com carinho e dedicação. Amante de samba e apaixonado pelo Clube de Regatas do Flamengo, era presença certa no Maracanã, e tinha orgulho de ter ingressado ainda criança na Torcida Jovem, onde ganhou a alcunha de “Gordinho”. Difícil era vê-lo sem o escudo rubro-negro estampado em suas roupas.
Reconhecido pela alegria e dedicação, deixou não apenas personagens memoráveis, mas também uma geração de alunos que formou como professor de dublagem. Sua partida deixa uma lacuna profunda na memória dos discípulos, colegas de profissão, e fãs da versão brasileira.